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Galípolo levou à PF suspeita de corrupção no BC ligada ao caso Master

Procuradoria do BC viu indícios preliminares de corrupção passiva, mas classificou elementos como incipientes e recomendou investigação pela Polícia Federal

Gabriel Galípolo comunicou diretamente ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, suspeitas de corrupção envolvendo dois servidores de alto escalão do Banco Central que atuavam na supervisão de instituições financeiras. O ofício foi enviado em 9 de janeiro de 2026, depois de uma apuração interna realizada pela Corregedoria e pela Procuradoria Geral da autarquia.

Os servidores citados são Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Paulo Sérgio Neves de Souza, que ocupava o cargo de chefe-adjunto da mesma unidade. Os documentos integram as investigações relacionadas ao Banco Master e tiveram o sigilo retirado por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No documento enviado à PF, Galípolo informou que o BC havia recebido informações sobre pagamentos de valores elevados aos servidores, supostamente relacionados a pessoas vinculadas a uma instituição submetida à fiscalização da área em que trabalhavam. Segundo o presidente da autarquia, os fatos poderiam, em tese, caracterizar corrupção passiva.

A apuração começou após Galípolo receber um relato verbal de uma pessoa cuja identidade foi preservada. Em 7 de janeiro, ele levou as informações ao diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, e ao procurador-geral do BC. Belline e Paulo Sérgio foram chamados separadamente para apresentar suas versões no mesmo dia.

Belline declarou que havia acertado o recebimento de R$ 2 milhões para participar de um projeto de inclusão financeira de jovens. Segundo ele, a proposta foi feita por Leonardo Palhares e não havia informação de que uma instituição supervisionada pelo BC estivesse por trás dos pagamentos. O servidor afirmou ter recebido inicialmente duas parcelas de R$ 500 mil e, posteriormente, pagamentos mensais de R$ 100 mil até completar o valor combinado.

Ele também declarou que prestou serviços para o projeto, participou de um podcast e informou os rendimentos à Receita Federal. A Corregedoria, porém, considerou haver aparente desproporcionalidade entre os R$ 2 milhões recebidos e os serviços descritos, circunstância que justificaria investigação mais aprofundada.

Paulo Sérgio apresentou explicação diferente para o aumento patrimonial analisado. Ele afirmou ter vendido um sítio em Minas Gerais por R$ 4,5 milhões em janeiro de 2020 e que somente no momento da escritura descobriu que o comprador era cunhado de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo o servidor, o preço correspondia ao valor de mercado e a operação foi declarada à Receita.

A relação do comprador com Vorcaro levou a Corregedoria a recomendar investigação sobre a origem e a legitimidade dos recursos. O órgão reconheceu que a comunicação inicial não estava acompanhada de provas documentais, mas considerou que os valores envolvidos e as funções exercidas pelos servidores justificavam uma apuração patrimonial.

Duas sindicâncias foram abertas em 8 de janeiro, uma para cada servidor, e ambos foram afastados cautelarmente de suas funções por 60 dias. No dia seguinte, a Procuradoria Geral do BC avaliou que havia indícios preliminares que poderiam apontar para corrupção passiva.

O próprio parecer jurídico, entretanto, classificou os elementos disponíveis naquele momento como incipientes. Por isso, recomendou o envio das informações à Polícia Federal para aprofundamento da investigação criminal, em vez de uma comunicação direta ao Ministério Público. Horas depois, Galípolo formalizou o encaminhamento a Andrei Rodrigues.

A documentação enviada sob sigilo incluía os procedimentos da Corregedoria, as versões apresentadas pelos servidores e o parecer jurídico do BC. Posteriormente, as suspeitas passaram a integrar a investigação da PF sobre possíveis relações entre integrantes da autoridade monetária e Daniel Vorcaro.

A Polícia Federal afirma ter encontrado, na análise do celular de Vorcaro, elementos que levantaram suspeitas de repasse de informações e atuação informal em benefício dos interesses do Banco Master. A investigação busca determinar se os pagamentos e negócios identificados tiveram relação com as funções exercidas pelos servidores.

Os documentos também mostram que o próprio Banco Central iniciou a apuração e comunicou formalmente a PF poucos dias depois de receber a denúncia. As suspeitas permanecem sob investigação, e Belline e Paulo Sérgio negam que os negócios relatados tenham sido realizados para beneficiar o Banco Master ou que soubessem de eventual relação dos pagamentos com a instituição.

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