A Vale (VALE3) continua negociando abaixo das grandes mineradoras internacionais, mas o desconto não é suficiente para tornar as ações mais atrativas na avaliação da XP. Após revisar suas estimativas, a corretora manteve recomendação neutra e calculou valor justo entre R$ 70 e R$ 80 por ação.
A leitura da XP difere da comparação baseada apenas nos múltiplos tradicionais. Pela metodologia convencional, a Vale negocia a aproximadamente 5,1 vezes o EV/EBITDA projetado para 2027. O número aparentemente indicaria uma diferença significativa em relação às concorrentes globais.
Ao ajustar o EBITDA pelo caixa e incorporar passivos com características semelhantes às de dívida, porém, o múltiplo sobe para 5,9 vezes. A média das mineradoras internacionais consideradas na comparação está em 6,6 vezes.
Segundo a XP, essa metodologia permite uma comparação mais adequada entre as empresas e mostra que o desconto da Vale está próximo da média observada desde o desastre de Brumadinho. Por isso, a corretora não identifica no valuation atual um gatilho suficiente para uma reprecificação expressiva no curto prazo.
Outro ponto considerado é a geração de caixa. A estimativa para 2027 indica retorno sobre o fluxo de caixa livre de aproximadamente 6%, considerando minério de ferro a US$ 100 por tonelada e cobre a US$ 14 mil por tonelada.
A XP espera que o caixa continue pressionado por custos de frete, valorização do real, despesas relacionadas ao Brent, investimentos destinados à expansão dos metais básicos e outras obrigações financeiras. Essa combinação limita, na avaliação dos analistas, o potencial de retorno mesmo com VALE3 negociando abaixo de alguns pares internacionais.
A perspectiva muda parcialmente quando o horizonte é ampliado. A Vale Base Metals é apontada como um dos principais vetores potenciais de criação de valor, principalmente diante dos planos de expansão da produção de cobre.
Nas projeções da XP, o retorno sobre o fluxo de caixa livre da companhia poderia alcançar entre 7% e 13% no período de 2030 a 2035. Ao mesmo tempo, a contribuição dos metais básicos para a geração de caixa poderia sair dos atuais níveis entre aproximadamente 0% e 10% e atingir uma faixa de 30% a 50%.
O cobre ocupa posição relevante nessa estratégia devido à demanda associada à expansão das redes elétricas, eletrificação e outras atividades relacionadas à transição energética. A valorização da commodity e o crescimento da produção poderiam reduzir, no longo prazo, a dependência da Vale em relação ao minério de ferro.
Parte dessa expectativa, entretanto, já estaria incorporada ao preço dos ativos. Na avaliação por soma das partes realizada pela XP, o negócio de metais básicos é precificado a aproximadamente 8 vezes o EV/EBITDA, enquanto a operação de minério de ferro recebe múltiplo próximo de 5 vezes.
A corretora estima valor justo entre US$ 14 e US$ 16 para as ADRs da Vale, equivalente a aproximadamente R$ 70 a R$ 80 por ação. Com os papéis próximos dessa faixa e uma perspectiva de geração de caixa mais limitada no curto prazo, a XP mantém recomendação neutra para VALE3, apesar do potencial de crescimento atribuído aos metais básicos no horizonte mais longo.









