A combinação entre juros elevados no Brasil e a busca por diversificação internacional tem levado investidores a conciliar duas estratégias que cumprem funções diferentes na carteira. De um lado, o CDB oferece remuneração em reais, liquidez e previsibilidade. Do outro, os ativos no exterior reduzem a dependência do patrimônio em relação à economia e à moeda brasileira.
Para Adriano Murta, advogado tributarista e especialista em investimentos internacionais, não é necessário escolher uma dessas alternativas e abandonar a outra. A decisão depende da finalidade atribuída a cada parcela do patrimônio e dos riscos que o investidor pretende administrar.
Em períodos de juros elevados, os CDBs podem oferecer retornos atrativos, especialmente nos produtos vinculados ao CDI. Além da rentabilidade, características como liquidez e previsibilidade ajudam a explicar a presença desses títulos nas carteiras de investidores de maior renda.
Essa remuneração, entretanto, não elimina outros tipos de exposição. Quem concentra os investimentos no Brasil permanece sujeito às oscilações do real e a fatores econômicos, fiscais e políticos domésticos, independentemente da taxa oferecida pela renda fixa.
É nesse ponto que a internacionalização assume outra função. Segundo Murta, manter parte dos recursos em outros mercados pode diminuir a concentração em uma única moeda, economia e jurisdição. Por isso, comparar apenas a taxa de um CDB com o retorno momentâneo de um investimento estrangeiro não seria suficiente para decidir entre as duas estratégias.
A parcela destinada ao exterior também não deve seguir um percentual único. Perfil de risco, tamanho e composição do patrimônio, horizonte de investimento, despesas futuras e objetivos familiares e sucessórios são alguns dos fatores que precisam ser considerados.
“Mais importante do que perseguir um número é entender qual risco a diversificação internacional está ajudando a reduzir”, afirma Murta.
A estrutura utilizada para manter patrimônio fora do país é outro ponto relevante. O especialista alerta que a escolha dos produtos financeiros não deveria anteceder a análise das implicações tributárias, jurídicas e sucessórias da operação.
Questões como residência fiscal, titularidade dos ativos, obrigações de declaração e planejamento sucessório podem alterar a estrutura mais adequada para cada investidor. Somente depois dessa avaliação, segundo Murta, deveria ocorrer a seleção dos instrumentos financeiros.
Nesse contexto, CDBs e investimentos internacionais não funcionam necessariamente como alternativas concorrentes. Enquanto a renda fixa doméstica pode atender objetivos de liquidez e remuneração em reais, a exposição internacional pode atuar na diversificação de riscos de longo prazo. A proporção entre as duas estratégias dependerá das características e dos objetivos de cada patrimônio.









