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EUA podem emitir US$ 1 trilhão em dívida de curto prazo, projetam bancos

Bank of America, JPMorgan e Goldman Sachs projetam cerca de US$ 1 trilhão em novas letras do Tesouro

Os Estados Unidos deverão recorrer ainda mais aos títulos de curto prazo para financiar seus déficits nos próximos anos. Projeções dos principais bancos de Wall Street indicam que as emissões líquidas de Treasury bills podem ficar próximas ou acima de US$ 1 trilhão, aumentando a parcela da dívida federal que precisa ser refinanciada com maior frequência.

O Bank of America calcula emissões líquidas de aproximadamente US$ 1,07 trilhão no ano fiscal que termina em setembro de 2027. O JPMorgan trabalha com US$ 1,09 trilhão no ano-calendário de 2027, enquanto o Goldman Sachs estima US$ 961 bilhões.

As Treasury bills têm vencimento de até um ano e atualmente oferecem custo inferior ao dos títulos de prazo mais longo. As letras de um ano rendem aproximadamente 4,4%, enquanto os Treasuries de dez anos estão próximos de 5% e os de 30 anos, de 5,3%.

A vantagem imediata do financiamento mais curto é justamente o menor custo. Em contrapartida, o Tesouro precisa voltar ao mercado mais rapidamente para refinanciar os papéis. Caso os juros estejam mais elevados no momento da renovação, a despesa do governo pode aumentar, elevando o chamado risco de rolagem.

Pelas estimativas do Bank of America, o estoque de Treasury bills poderá chegar a cerca de US$ 8 trilhões até setembro de 2027 e representar 24,3% da dívida negociável do Tesouro. O Goldman Sachs também projeta participação de 24,3% no próximo ano e de 24,9% em 2028.

Os percentuais ficariam acima da referência de aproximadamente 20% defendida ao longo do tempo pelo comitê de participantes do mercado que assessora o Tesouro americano. O objetivo dessa referência é equilibrar os custos dos juros com os riscos de refinanciamento e a volatilidade das despesas com a dívida.

A estratégia ocorre enquanto o governo enfrenta necessidades elevadas de financiamento e rendimentos maiores nos títulos longos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também ampliou as recompras de Treasuries com vencimentos entre dez e 30 anos, numa tentativa de melhorar o funcionamento desse mercado.

Apesar das preocupações com o aumento da dívida de curto prazo, a demanda pelas letras permanece elevada. Fundos de mercado monetário americanos, que administram cerca de US$ 8 trilhões, estão entre os principais compradores. O Federal Reserve também adquiriu aproximadamente US$ 250 bilhões desses papéis apenas no primeiro semestre deste ano.

Outro possível vetor de demanda são as stablecoins. Como esses ativos digitais normalmente mantêm reservas em instrumentos líquidos e de baixo risco, emissores podem utilizar títulos de curto prazo do governo americano como parte de seu lastro.

O debate sobre a composição da dívida ocorre em um cenário de déficits persistentemente elevados. O Congressional Budget Office estima déficit federal de US$ 1,9 trilhão em 2026, equivalente a 5,8% do PIB. Pelas projeções de fevereiro, o resultado negativo alcançaria 6,7% do PIB em 2036, enquanto a dívida em poder do público avançaria de 101% para 120% do PIB no mesmo período.

O aumento das despesas com juros é parte importante desse quadro. Nas projeções do CBO, os gastos líquidos com juros passam de 3,3% do PIB em 2026 para 4,6% em 2036, tornando o custo de financiamento uma parcela crescente das despesas federais.

Há, contudo, diferentes avaliações sobre o risco representado pelas emissões de curto prazo. Enquanto estrategistas alertam para maior exposição às oscilações dos juros e para a necessidade constante de refinanciamento, outros observam que a participação projetada das letras permanece próxima de níveis já registrados historicamente.

O desafio para o Tesouro será equilibrar essas duas dimensões: aproveitar o custo atualmente menor dos títulos de curto prazo sem aumentar excessivamente a dependência de refinanciamentos frequentes em um período de déficits elevados e maior volatilidade dos juros.

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