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Empresas brasileiras recuperam milhões com tarifas derrubadas nos EUA

Reembolsos de tarifas já beneficiaram exportadoras brasileiras, enquanto WEG pode recuperar até R$ 230 milhões e Suzano busca ressarcimento na Justiça

A devolução de tarifas de importação cobradas pelos Estados Unidos começa a produzir efeitos relevantes nos balanços de empresas brasileiras. Embraer e Taurus já reconheceram centenas de milhões de reais relacionados aos ressarcimentos, enquanto outras exportadoras ainda aguardam ou buscam a recuperação dos valores pagos durante o período de vigência das taxas posteriormente invalidadas pela Suprema Corte americana.

A Embraer contabilizou R$ 358,6 milhões relacionados à recuperação dos tributos de importação no segundo trimestre. A companhia também elevou suas projeções para 2026, atribuindo a revisão à combinação entre crédito tributário, isenção de tarifas e melhora das perspectivas operacionais. A nova previsão indica margem EBIT ajustada entre 10% e 10,6%.

A Taurus, por sua vez, reconheceu R$ 91,1 milhões em reembolsos no período, valor próximo da totalidade solicitada pela companhia. O processo foi conduzido por sua subsidiária americana, responsável pela importação dos produtos enviados pelo grupo brasileiro.

Os ressarcimentos decorrem da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, de 20 de fevereiro, que concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, a IEEPA, não concedia ao presidente autoridade para impor as tarifas questionadas. Posteriormente, a Corte de Comércio Internacional determinou que o U.S. Customs and Border Protection (CBP) processasse importações sem essas cobranças e, quando aplicável, realizasse a reliquidação das operações.

A reliquidação permite reabrir determinadas importações já processadas para recalcular os tributos cobrados. Essa etapa é especialmente relevante para empresas cujas operações haviam sido encerradas antes da decisão judicial e que agora tentam recuperar os valores pagos.

A próxima fase desse processo ganhou importância para companhias brasileiras, mas enfrenta atrasos operacionais e disputas jurídicas nos Estados Unidos. O CBP vem adaptando sua infraestrutura tecnológica para processar os pedidos em diferentes etapas, enquanto decisões judiciais continuam definindo o alcance dos procedimentos de devolução.

Entre as empresas que podem ser beneficiadas está a WEG. O J.P. Morgan calcula que a fabricante poderia registrar um ganho extraordinário entre aproximadamente R$ 170 milhões e R$ 230 milhões caso consiga recuperar as tarifas pagas sobre parte de suas exportações brasileiras para os Estados Unidos.

A estimativa considera exportações de R$ 1,68 bilhão entre abril de 2025 e fevereiro de 2026 e uma tarifa média de 20% sobre os produtos considerados elegíveis pelo banco. O eventual ressarcimento corresponderia a aproximadamente 7% a 9% do Ebitda projetado pelo J.P. Morgan para o terceiro trimestre e poderia elevar a margem do período para uma faixa entre 23,6% e 24,2%. A WEG, porém, não divulgou publicamente quanto pagou em tarifas, e o cálculo permanece uma estimativa dos analistas.

A Suzano também tomou medidas para preservar a possibilidade de recuperar valores. A companhia e duas subsidiárias recorreram à Corte de Comércio Internacional dos Estados Unidos buscando a reliquidação de importações que haviam sido submetidas às tarifas. O montante envolvido não foi divulgado.

O interesse não se restringe às grandes companhias abertas. Escritórios que acompanham o processo relatam pedidos de empresas brasileiras dos setores de máquinas, siderurgia e papel e celulose. Parte das exportadoras, entretanto, evita divulgar valores ou confirmar publicamente os processos de ressarcimento enquanto os procedimentos continuam em andamento.

Nos Estados Unidos, a dimensão financeira é ainda maior. Grandes importadores registraram impactos bilionários relacionados à devolução das tarifas, evidenciando o tamanho da conta criada pela invalidação das cobranças.

Para empresas brasileiras com forte exposição ao mercado americano, o efeito pode aparecer diretamente nos resultados à medida que os recursos sejam reconhecidos contabilmente. No caso da Embraer, a combinação entre o crédito tributário extraordinário, as isenções tarifárias e a melhora operacional já contribuiu para a revisão das projeções anuais.

A recuperação, contudo, não é automática para todas as importações. A situação depende do estágio de processamento de cada operação, das decisões judiciais aplicáveis e dos procedimentos adotados pelo CBP. Por isso, enquanto algumas empresas já incorporaram os recursos aos balanços, outras ainda aguardam a conclusão administrativa ou judicial dos pedidos.

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