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Petrobras investe R$ 3,2 bilhões em blocos e prevê novo polo

Petrobras concentra R$ 3,2 bilhões dos R$ 3,5 bilhões arrecadados pela ANP e avalia nova estrutura de produção em meio à volatilidade do petróleo

A ampliação da produção de petróleo na Bacia de Campos poderá exigir a instalação de um novo polo operacional da Petrobras, caso as reservas estimadas nas áreas recentemente adquiridas sejam confirmadas. A possibilidade foi apresentada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, nesta quinta-feira (8), um dia depois de a companhia concentrar a maior parte dos investimentos realizados no leilão de blocos exploratórios promovido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A Petrobras arrematou 21 blocos e respondeu por R$ 3,2 bilhões dos R$ 3,5 bilhões arrecadados pela União na licitação de quarta-feira (7). Do total adquirido, 12 áreas foram conquistadas individualmente sob o regime de concessão, outras sete em consórcio com a Qatar Energy e duas pelo regime de partilha de produção.

Durante evento do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Chambriard afirmou que os blocos localizados na Bacia de Campos apresentam perspectivas favoráveis, mas ressaltou que a viabilidade de um novo polo depende da confirmação dos volumes de petróleo. “Nós gostamos daquela área. Se nossos estudos estiverem certos, vamos ter bons resultados”, declarou.

A executiva explicou que as projeções ainda precisam ser verificadas por meio de perfurações exploratórias. O processo envolverá a abertura de poços pioneiros, destinados a identificar a presença de hidrocarbonetos, e de poços de delimitação, necessários para avaliar a extensão das descobertas e o potencial de produção.

“Esses blocos ainda precisam passar pela prova dos nove da perfuração exploratória. Vamos ter que furar poço pioneiro ali e poços de delimitação para concluir se estamos ou não certos. Se confirmar as nossas expectativas, podemos chegar a um volume bastante relevante”, afirmou.

A possibilidade de desenvolver uma nova estrutura produtiva está relacionada à estratégia da Petrobras para a Bacia de Campos, região com campos antigos e importantes áreas localizadas fora do polígono do pré-sal. Segundo Chambriard, o amadurecimento dos reservatórios exige medidas para preservar a eficiência econômica das operações, uma vez que a redução dos volumes extraídos tende a elevar o custo de produção por barril.

A companhia já utiliza a interligação de novos poços a instalações existentes como alternativa para aproveitar a infraestrutura disponível e otimizar os custos. Entretanto, caso o potencial dos blocos recém-adquiridos seja confirmado, a dimensão das descobertas poderá justificar a implantação de um polo adicional na região.

Além dos projetos exploratórios, Chambriard comentou as incertezas que continuam afetando o mercado internacional de petróleo e as margens de refino do diesel. A executiva afirmou que o conflito no Oriente Médio e as declarações de autoridades internacionais têm provocado oscilações de preços, dificultando a identificação de uma tendência consistente para as cotações.

Na avaliação da presidente da Petrobras, o petróleo poderá demorar mais para retornar ao patamar de US$ 59 por barril registrado em fevereiro. Ela também destacou a sensibilidade da margem de refino do diesel, conhecida como crack spread, às mudanças nas expectativas do mercado.

“Uma única declaração do presidente dos Estados Unidos pode fazer o ‘crack spread’ do diesel cair de US$ 100 para US$ 20”, afirmou, ao exemplificar a intensidade das oscilações provocadas por fatores geopolíticos e manifestações públicas.

Questionada sobre qual preço do petróleo será utilizado como referência no plano de negócios da Petrobras para o período de 2027 a 2031, Chambriard não apresentou uma estimativa. O documento, com divulgação prevista para o fim de novembro, deverá estabelecer as diretrizes de investimentos e planejamento da companhia para os próximos cinco anos.

A aquisição dos novos blocos amplia as oportunidades exploratórias da Petrobras, mas a eventual construção de um polo na Bacia de Campos permanece condicionada aos resultados das perfurações e à confirmação da viabilidade econômica das reservas identificadas.

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