A S&P Global Ratings passou a adotar uma avaliação mais favorável sobre as perspectivas financeiras da Gerdau (GGBR4), após considerar o desempenho das operações na América do Norte e os investimentos destinados a melhorar a eficiência da siderúrgica no Brasil. A agência revisou a perspectiva de crédito da companhia de estável para positiva, mantendo a classificação BBB, conforme comunicado divulgado pela empresa na quinta-feira (22).
A decisão considera a expectativa de fortalecimento dos resultados operacionais, aumento da geração de caixa e manutenção de baixos níveis de endividamento nos próximos anos. A S&P também destacou a política financeira conservadora da Gerdau como um dos fatores que sustentam sua avaliação.
Nas projeções da agência, a margem Ebitda consolidada, indicador que mede a rentabilidade operacional, deverá alcançar entre 18% e 19% em 2026 e 2027, acima dos 13,9% registrados em 2025. A melhora esperada está associada às condições favoráveis do mercado norte-americano e aos ganhos de produtividade decorrentes dos projetos estratégicos desenvolvidos no Brasil.
A S&P também prevê crescimento do fluxo de caixa operacional livre nos próximos dois a três anos. A expectativa é que a relação de alavancagem permaneça abaixo de uma vez até 2028, favorecida pela redução gradual dos investimentos à medida que projetos como Miguel Burnier e Midlothian se aproximam da conclusão.
Possibilidade de elevação do rating
A perspectiva positiva abre espaço para uma eventual elevação da nota de crédito da Gerdau nos próximos 18 a 24 meses. Para isso, a siderúrgica precisará demonstrar avanços consistentes nas margens de suas operações brasileiras, preservando o desempenho das unidades na América do Norte.
Segundo a S&P, uma eventual melhora da classificação dependerá também da capacidade da companhia de administrar seus investimentos e a remuneração aos acionistas sem comprometer a solidez financeira.
Entre os parâmetros considerados pela agência estão a manutenção da relação entre dívida ajustada e Ebitda abaixo de uma vez e a geração interna de caixa em relação à dívida acima de 60%. Esses indicadores deverão apresentar margem suficiente para absorver os efeitos de eventuais desacelerações da atividade industrial.
Outro requisito é a preservação de reservas de liquidez capazes de sustentar as operações em cenários econômicos adversos. A agência ressalta que a Gerdau precisará continuar atendendo aos critérios de resistência financeira utilizados em sua avaliação, inclusive para justificar uma classificação até dois níveis acima da avaliação de transferência e conversibilidade BBB- atribuída ao Brasil.
A manutenção do rating BBB confirma a permanência da Gerdau no grau de investimento. A mudança para perspectiva positiva, por sua vez, sinaliza que a agência considera possível uma melhora futura da classificação, condicionada à evolução dos resultados e à preservação da disciplina financeira.









