O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (26) um acordo para adquirir a totalidade das ações da NeoSpace, startup brasileira especializada no desenvolvimento de inteligência artificial. Avaliada em R$ 2,925 bilhões, a operação faz parte da estratégia do banco de ampliar o uso de tecnologias próprias em atividades financeiras e no relacionamento com clientes.
A transação prevê o pagamento de uma parcela no fechamento do negócio, enquanto o valor restante será desembolsado de forma diferida ao longo de cinco anos, sujeito às condições estabelecidas no contrato. A conclusão da compra ainda depende de autorizações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, além do cumprimento de outras exigências previstas para a operação.
A NeoSpace já mantém uma parceria comercial com o Itaú há quase dois anos. Nesse período, as empresas desenvolveram modelos de inteligência artificial treinados com informações do próprio banco, utilizados em iniciativas relacionadas à concessão de crédito, gestão do relacionamento com clientes e prevenção a fraudes.
Com a aquisição, o Itaú pretende incorporar de maneira mais ampla essas tecnologias às suas operações. Uma das prioridades é o desenvolvimento do ia.i, plataforma de inteligência artificial generativa criada para permitir interações mais personalizadas com os clientes e facilitar o acesso a produtos e serviços financeiros.
A NeoSpace atua na criação de modelos fundacionais de inteligência artificial capazes de identificar padrões e relações complexas em grandes volumes de dados. A tecnologia permite desenvolver soluções adaptadas às necessidades de diferentes organizações, utilizando informações específicas de suas atividades.
Segundo o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, a aquisição representa um investimento estratégico para ampliar a capacidade de inovação da instituição. O executivo afirmou que o banco pretende combinar tecnologia avançada, conhecimento financeiro e escala operacional para desenvolver novas soluções no setor.
Apesar da mudança de controle prevista no acordo, a NeoSpace continuará com gestão e operação autônomas. Bruno Pierobon permanecerá como presidente-executivo da startup, que manterá sua equipe e as atividades de pesquisa e desenvolvimento.
A aquisição também reforça uma relação anterior do Itaú com os empreendedores envolvidos na NeoSpace. Em 2019, o banco adquiriu a Zup, empresa de tecnologia fundada por Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs, que posteriormente participaram da criação da startup de inteligência artificial.
A operação amplia os investimentos do Itaú em tecnologia aplicada aos serviços bancários, especialmente em áreas que dependem do processamento de grandes volumes de informações. A efetivação da compra, entretanto, ficará condicionada à conclusão das análises regulatórias.










