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Tesouro suspende leilões de títulos públicos

Governo cancela ofertas de títulos prefixados e atrelados à inflação previstas para esta semana, mas mantém operação com papéis vinculados à taxa Selic

O Tesouro Nacional decidiu cancelar os leilões de títulos públicos prefixados e indexados à inflação programados para esta semana, em meio à expectativa de forte volatilidade no mercado financeiro após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida foi anunciada nesta segunda-feira (26), primeiro dia útil após o segundo turno das eleições presidenciais.

A decisão atinge as ofertas de títulos vinculados à inflação, previstas para terça-feira (27), e de papéis prefixados, que seriam realizadas na quinta-feira (29). Esses instrumentos são utilizados pelo governo federal para captar recursos e financiar a dívida pública, com taxas de remuneração definidas pelas condições de mercado.

O cancelamento ocorre em um momento de revisão das expectativas dos investidores sobre a política fiscal e a trajetória dos juros. A reação negativa dos ativos brasileiros negociados no exterior após o resultado eleitoral aumentou a preocupação com possíveis oscilações nos preços dos títulos públicos e com a elevação das taxas exigidas pelos compradores.

Em períodos de instabilidade, a alta dos juros de mercado pode encarecer a emissão de novos títulos. Ao retirar temporariamente as ofertas programadas, o Tesouro evita realizar essas operações em condições potencialmente desfavoráveis para o financiamento da dívida federal.

Apesar da suspensão parcial, o órgão manteve o leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), marcado para terça-feira (27). Esses papéis têm remuneração vinculada à taxa Selic e apresentam características diferentes dos títulos prefixados e daqueles corrigidos pela inflação.

As condições da oferta de LFTs serão divulgadas pelo Tesouro Nacional, conforme os procedimentos adotados nos leilões regulares. O órgão informou que continuará acompanhando o comportamento dos mercados e poderá adotar medidas para preservar o funcionamento das negociações de títulos públicos.

A decisão ocorre no mesmo dia em que a B3 anunciou alterações excepcionais nos limites de oscilação dos contratos futuros de dólar e Ibovespa. A iniciativa foi adotada diante da expectativa de movimentos intensos nos preços dos ativos brasileiros após a vitória de Lula.

As mudanças nos contratos futuros não alteram as regras de circuit breaker do mercado de ações. O mecanismo prevê interrupções temporárias das negociações quando o Ibovespa registra quedas acentuadas durante o pregão.

O Tesouro Nacional não anunciou a suspensão geral das operações com títulos públicos nem o fechamento do Tesouro Direto, plataforma utilizada por pessoas físicas para investir nesses papéis. O comunicado trata especificamente dos leilões institucionais de títulos prefixados e indexados à inflação previstos para esta semana.

A instituição afirmou que continuará monitorando as condições de mercado para assegurar o funcionamento adequado das operações com a dívida pública federal.

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