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Juros futuros disparam e mercado descarta corte da Selic

Contratos de DI registram forte elevação nesta segunda-feira (26), em meio à revisão das expectativas fiscais após a reeleição de Lula e à proximidade da próxima reunião do Copom

A possibilidade de novos cortes na taxa Selic perdeu espaço nas expectativas do mercado financeiro nesta segunda-feira (26), após elevação dos juros futuros provocada pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A curva de Depósitos Interfinanceiros (DIs) passou a indicar a manutenção da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano, diante das incertezas sobre a trajetória fiscal do país.

Por volta das 10h, os contratos de DI para janeiro de 2035 registravam alta de 272 pontos-base, com a taxa passando de 12,680% no fechamento de sexta-feira (23) para 15,375%. No vencimento de janeiro de 2029, o avanço era de 244 pontos-base, elevando a remuneração de 12,595% para 15,030% ao ano.

Nos contratos de prazo mais curto, a elevação foi menos intensa. O DI para janeiro de 2027 subia 43 pontos-base, de 13,475% para 13,898%, movimento que acompanhou a revisão das apostas sobre as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

A alta expressiva das taxas levou a B3 a realizar leilões para formação de preços e modificar, excepcionalmente, os limites máximos de oscilação dos contratos durante o pregão. As medidas foram adotadas em meio à forte volatilidade registrada nos mercados após o resultado do segundo turno.

O movimento representa uma mudança nas expectativas para a política monetária. Antes da eleição, investidores consideravam a possibilidade de novos cortes de 0,25 ponto percentual na Selic ainda em 2026. Com a reprecificação dos contratos futuros, essa expectativa deixou de estar incorporada aos preços naquele momento.

A alteração não significa que o Banco Central tenha decidido interromper a redução dos juros. A definição caberá ao Copom, que avaliará os indicadores de inflação, atividade econômica e expectativas do mercado em sua próxima reunião, marcada para novembro.

A Capital Economics já havia projetado uma elevação próxima de 200 pontos-base nos rendimentos dos títulos brasileiros em caso de reeleição de Lula. Segundo William Jackson, economista-chefe de mercados emergentes da consultoria, os investidores haviam incorporado aos preços a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) e de mudanças mais profundas na condução das contas públicas.

Com a confirmação do resultado eleitoral, o mercado passou a rever essas posições. Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, contrariando o cenário considerado por parte dos investidores.

A elevação dos juros futuros reflete principalmente a exigência de maior remuneração para aplicações de médio e longo prazo, diante das preocupações com o endividamento público e o equilíbrio fiscal. Esse movimento também influencia o custo de financiamento de empresas e do governo, além dos preços dos títulos de renda fixa negociados no mercado.

A trajetória das taxas dependerá das próximas sinalizações do governo sobre a política fiscal e da avaliação do Banco Central sobre os riscos para a inflação. A abertura expressiva da curva nesta segunda-feira mostra que os investidores passaram a exigir prêmios maiores para manter exposição aos ativos brasileiros.

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