A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026. A revisão, divulgada nesta quarta-feira (28), reflete o enfraquecimento da indústria e dos serviços, principalmente dos setores mais dependentes do consumo interno e afetados pelos juros elevados. A previsão de expansão da indústria caiu de 2% para 1,3%, enquanto a indústria de transformação deverá registrar retração de 0,7%.
O relatório também aponta deterioração das perspectivas para a inflação e as contas públicas. A CNI estima que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre o ano em 5,15%, pressionado pelos preços dos alimentos, combustíveis, energia e serviços. A expectativa é que o Banco Central reduza gradualmente a taxa Selic, atualmente elevada, para 13,25% ao ano até dezembro, mantendo condições restritivas ao crédito e aos investimentos.
Na área fiscal, a entidade projeta déficit primário de R$ 54,6 bilhões, equivalente a 0,4% do PIB, desconsideradas as exclusões permitidas para o cumprimento da meta fiscal. A dívida bruta deverá avançar de 78,6% para 83,7% do PIB. Apesar do cenário, o mercado de trabalho permanece como fator de sustentação da atividade econômica, com previsão de desemprego de 5% ao fim do ano e crescimento de 4,6% na massa de rendimentos reais.
No comércio exterior, a CNI prevê crescimento de 10,3% nas exportações, que deverão alcançar US$ 386,7 bilhões, impulsionadas principalmente pela indústria extrativa e pela valorização das commodities. As importações são estimadas em US$ 309,4 bilhões, resultando em superávit comercial de US$ 77,3 bilhões. Para a entidade, o desempenho externo deverá contribuir para a economia, mas não será suficiente para compensar os efeitos dos juros elevados sobre a atividade produtiva nacional.









