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Binance tem saques de US$ 5 bilhões após ataque hacker

Ataque hacker à Binance provoca retirada bilionária de criptomoedas. FBI aponta grupo ligado à Coreia do Norte como responsável pela invasão

A Binance registrou uma saída líquida de aproximadamente US$ 4,9 bilhões, o equivalente a R$ 26,7 bilhões, depois de retomar os serviços de saque interrompidos por um ataque cibernético. A movimentação ocorreu entre domingo (1º) e a manhã desta segunda-feira (2), após a corretora de criptomoedas sofrer o roubo de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais.

O volume retirado pelos clientes corresponde a quase 3% dos ativos mantidos na plataforma antes da invasão, segundo dados da DefiLlama. O movimento reflete a preocupação dos investidores com a segurança dos recursos, embora não signifique que a empresa tenha perdido o mesmo valor em decorrência do ataque.

A invasão ocorreu na noite de quinta-feira (29) e levou a Binance a suspender temporariamente as retiradas enquanto investigava as falhas de segurança. A corretora iniciou a reabertura gradual dos serviços no domingo, após realizar verificações em sua infraestrutura.

Nas primeiras nove horas e meia de funcionamento, a plataforma processou US$ 4,65 bilhões em saques e recebeu US$ 1,01 bilhão em depósitos. A diferença representou uma saída líquida inicial de US$ 3,64 bilhões, ampliada nas horas seguintes.

A retomada começou por determinados ativos e redes de blockchain, incluindo operações com ethereum e as stablecoins USDT e USDC. Posteriormente, a corretora liberou retiradas de outras criptomoedas, como dogecoin e solana. Nesta segunda-feira, também passou a permitir saques em moedas tradicionais, entre elas o dólar americano.

A empresa informou que a reabertura foi organizada por etapas para verificar a estabilidade e a segurança de cada rede antes de restabelecer as operações. A Binance também alertou os usuários sobre possíveis atrasos no processamento das solicitações devido ao elevado volume de movimentações.

O ataque é considerado o maior roubo de criptomoedas já registrado. No sábado (31), o FBI atribuiu a ação ao grupo TraderTraitor, associado à Coreia do Norte. As autoridades americanas investigam a movimentação dos ativos desviados e a possibilidade de que os responsáveis tentem ocultar sua origem por meio de operações sucessivas.

A Binance afirmou que assumirá integralmente as perdas relacionadas à invasão, sem repassar o prejuízo aos clientes. Até domingo, a companhia havia reunido recursos equivalentes a aproximadamente 95% dos ativos roubados, utilizando receitas próprias e reservas destinadas a situações emergenciais.

Os 5% restantes ainda precisavam ser recompostos por meio da compra de determinados tokens no mercado. Segundo a corretora, a menor liquidez desses ativos dificulta a aquisição de grandes volumes em um curto intervalo.

As investigações internas identificaram inicialmente o comprometimento do computador de um engenheiro como uma possível porta de entrada para os invasores. Posteriormente, a empresa informou ter encontrado outros pontos de acesso indevido, indicando que o ataque pode ter envolvido diferentes vulnerabilidades.

A corretora trabalha com autoridades policiais e empresas especializadas em análise de blockchain para rastrear os recursos desviados. Também iniciou uma revisão de seus sistemas de segurança e prometeu divulgar um relatório técnico com as conclusões da investigação.

O episódio amplia as preocupações sobre a proteção dos ativos digitais mantidos em plataformas centralizadas. Embora a Binance tenha anunciado medidas para recompor os valores roubados e restabelecer os serviços, a dimensão do ataque e o volume de retiradas colocam à prova a confiança dos usuários na infraestrutura da corretora.

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