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A conta das promessas eleitorais

O desafio do quarto mandato de Lula será reconhecer a urgência de um ajuste fiscal capaz de recuperar a confiança dos investidores e abrir caminho para o crescimento da economia

Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional

Anunciar benefícios durante uma campanha eleitoral pode render votos, mas quem paga a conta depois? A estimativa de impacto fiscal de R$ 40 bilhões das medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a disputa pela reeleição acende um alerta sobre o uso de promessas sem a correspondente previsão orçamentária. O problema não está nas propostas, muitas delas voltadas à população de menor renda, mas na responsabilidade de apresentar, antes das eleições, de onde sairão os recursos para financiá-las. Houve anúncio, mas não houve transparência.

Agora, com a eleição encerrada, o governo precisa encontrar espaço no Orçamento para cumprir os compromissos assumidos. A equipe econômica busca alternativas, enquanto o presidente resiste a medidas que possam contrariar suas promessas. O impasse revela uma contradição preocupante: anunciar despesas é politicamente conveniente; encontrar dinheiro para pagá-las exige decisões difíceis. E a conta não desaparece com o fim da campanha. Ela pode se traduzir em maior endividamento, pressão sobre os juros, redução de investimentos ou necessidade de novos ajustes fiscais.

O alerta vai além de um governo ou de uma eleição. Promessas eleitorais não podem ser tratadas como cheques em branco, assinados durante a campanha e apresentados à sociedade depois da vitória. Responsabilidade fiscal não significa abandonar políticas sociais, mas assegurar que elas não comprometam o equilíbrio das contas públicas. Afinal, quando o compromisso eleitoral não vem acompanhado de planejamento, a bomba fica para o contribuinte, para a economia e, sobretudo, para as próximas gerações.

O desafio do quarto mandato de Lula será reconhecer a urgência de um ajuste fiscal capaz de recuperar a confiança dos investidores e abrir caminho para o crescimento da economia. Será que o governo estará disposto a enfrentar o custo político das decisões necessárias ou continuará adiando uma conta que o país já não pode mais ignorar?

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