O BTG Pactual revisou sua carteira recomendada de ações para novembro de 2026, com três substituições destinadas a reduzir a exposição dos investidores aos riscos econômicos após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A instituição passou a priorizar companhias com menor endividamento, geração consistente de caixa e maior previsibilidade de resultados, em um cenário de incertezas fiscais e pressão sobre os juros.
A atualização da carteira 10SIM ocorre depois da forte correção registrada pela Bolsa brasileira em outubro. Segundo os analistas, a queda das cotações levou diversas empresas a negociar com múltiplos inferiores às médias históricas, criando oportunidades de valorização, embora os riscos relacionados à política econômica continuem elevados.
Entre as principais mudanças, o BTG retirou Itaú Unibanco (ITUB4), Cury (CURY3) e Axia Energia (AXIA3) para incluir Caixa Seguridade (CXSE3), Ultrapar (UGPA3) e TIM (TIMS3). As substituições refletem a preferência por negócios considerados mais defensivos, com menor sensibilidade às oscilações do mercado financeiro e capacidade de remunerar os acionistas.
A carteira de novembro reúne Petrobras (PETR4), Sabesp (SBSP3), Embraer (EMBJ3), Rede D’Or (RDOR3), Caixa Seguridade (CXSE3), Eneva (ENEV3), Gerdau (GGBR4), Ultrapar (UGPA3), Motiva (MOTV3) e TIM (TIMS3). A Petrobras mantém a maior participação, com peso de 15%, enquanto a TIM representa 5%. As demais companhias respondem por 10% cada.
A Rede D’Or apresenta o maior potencial de valorização estimado pelo banco, de 83%, considerando a diferença entre a cotação de referência e o preço-alvo estabelecido pelos analistas. Na sequência aparecem Motiva, com possibilidade de alta de 43%, Sabesp, com 42%, Eneva, com 40%, e Embraer, com 38%.
A instituição também mantém exposição a empresas com receitas influenciadas pelo dólar, como Embraer e Gerdau, além da Petrobras, cuja geração de caixa está relacionada ao mercado internacional de petróleo. Essa composição busca oferecer alguma proteção diante de uma eventual desvalorização do real.
No cenário macroeconômico, o BTG projeta crescimento de apenas 0,6% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2027, inflação de 5,9% e taxa Selic de 13,75% ao ano. A estimativa para o câmbio é de R$ 5,50 por dólar ao final do próximo ano, refletindo uma perspectiva de atividade econômica fraca e manutenção de condições financeiras restritivas.
A avaliação do banco é que a trajetória dos ativos brasileiros continuará dependente das sinalizações do governo sobre o controle das despesas públicas e a sustentabilidade da dívida. A ausência de definições fiscais consideradas suficientes para estabilizar as expectativas pode prolongar a volatilidade e limitar a recuperação das ações.
Em outubro, a carteira 10SIM acumulou desvalorização de 6,5%, desempenho menos negativo que o Ibovespa, que recuou 9,9% no mesmo período. No acumulado de janeiro a outubro, o portfólio registrou valorização de 8,6%, ante avanço de 4,2% do principal índice da Bolsa.
O resultado reforça a estratégia de combinar empresas de setores diferentes para reduzir a concentração de riscos. Apesar disso, os analistas reconhecem que a seleção continua exposta às oscilações do mercado acionário, especialmente diante de mudanças nas expectativas para juros, inflação e crescimento econômico.
Os potenciais de valorização apresentados pelo BTG representam projeções baseadas nos preços-alvo das companhias e podem ser alterados conforme a evolução dos resultados e das condições de mercado. A recomendação não assegura que as ações alcançarão os valores estimados.
| Empresa | Código | Peso (%) | Upside (%) |
|---|---|---|---|
| Petrobras | PETR4 | 15% | 18% |
| Sabesp | SBSP3 | 10% | 42% |
| Embraer | EMBJ3 | 10% | 38% |
| Rede D’Or | RDOR3 | 10% | 83% |
| Caixa Seguridade | CXSE3 | 10% | 17% |
| Eneva | ENEV3 | 10% | 40% |
| Gerdau | GGBR4 | 10% | 11% |
| TIM | TIMS3 | 5% | 15% |
| Ultrapar | UGPA3 | 10% | 23% |
| Motiva | MOTV3 | 10% | 43% |










