A Petrobras (PETR4) teve seu perfil de crédito individual elevado pela Fitch Ratings, mas permaneceu com classificação internacional BB, dois níveis abaixo do grau de investimento. A decisão, divulgada na terça-feira (3), reflete a avaliação de que a estatal apresenta fundamentos financeiros mais sólidos, embora sua nota continue limitada pelo risco soberano do Brasil e pela influência do governo federal sobre a companhia.
A agência manteve os ratings de longo prazo em moeda local e estrangeira em BB, com perspectiva estável, acompanhando a classificação atribuída ao país. Na escala nacional, a Petrobras preservou a nota AAA(bra), também com perspectiva estável, que representa a categoria mais elevada de avaliação de crédito dentro do mercado brasileiro.
A principal mudança ocorreu no perfil de crédito autônomo, conhecido pela sigla SCP, elevado de bbb para bbb+. Esse indicador considera a capacidade financeira da empresa independentemente de seu vínculo com o governo. A revisão foi sustentada por avanços na governança corporativa, maior eficiência administrativa, geração consistente de caixa e baixos níveis de endividamento.
Apesar dessa melhora, a Fitch considera que a participação do governo brasileiro, responsável por 50,3% dos direitos de voto da Petrobras, permite influência significativa sobre decisões estratégicas e investimentos. A agência também aponta a ausência de mecanismos legais que protejam integralmente o fluxo de caixa da companhia contra possíveis interferências do acionista controlador.
A avaliação leva em conta os critérios aplicados a empresas relacionadas ao poder público, nos quais o vínculo com o Estado pode restringir a classificação final. Dessa forma, mesmo com um perfil financeiro individual compatível com grau de investimento, a Petrobras continua sujeita às limitações associadas à nota de crédito do Brasil.
A Fitch destacou que a estrutura de governança da estatal tem demonstrado capacidade de supervisão e transparência, apesar da concentração do controle acionário. A agência também reconheceu a dimensão das operações e o volume de reservas da companhia, considerados comparáveis aos de grandes petroleiras internacionais.
Nas projeções operacionais, a Fitch prevê que a produção da Petrobras ultrapasse 3,2 milhões de barris de óleo equivalente por dia até 2029. A expectativa de manutenção da alavancagem financeira abaixo de uma vez reforça a avaliação de solidez, indicando uma relação relativamente baixa entre o endividamento e a geração de resultados operacionais.
A agência ressalvou, contudo, que as condições de financiamento e o ambiente de negócios brasileiro ainda representam restrições. O ambiente operacional do país, classificado em BB+, oferece menor previsibilidade em comparação com economias que apresentam avaliações de crédito superiores.
A manutenção da nota internacional mostra que a melhora dos indicadores próprios da Petrobras não é suficiente, pelos critérios atuais da Fitch, para afastar os riscos relacionados ao controle estatal. A classificação permanece estável, enquanto a avaliação autônoma mais elevada evidencia o fortalecimento da capacidade financeira da companhia.










