As estratégias de investimento com a Selic em 14,25% ao ano
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Entenda como está a alocação dos bancos após o juro chegar ao maior nível desde 2016

Na última quarta-feira (19), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar a taxa básica de juros em 1 ponto percentual. Com isso, a Selic passou de 13,25% para 14,25% ao ano, alcançando o maior patamar desde setembro de 2016, ainda durante o governo Dilma Rousseff. Diante desse novo cenário, os principais bancos do país — como Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual — revisaram suas projeções e agora estimam que a taxa terminal da Selic deve ficar entre 15,25% e 15,5% ao ano. Além disso, essas instituições já ajustaram suas recomendações de alocação de investimentos, refletindo um novo “normal” marcado por juros elevados.

O Itaú, por exemplo, acredita que a Selic continuará subindo até pelo menos 15,25% ao ano. Apesar do aumento dos juros, o banco adotou uma postura mais otimista em relação ao desempenho da Bolsa brasileira. Recentemente, elevou de 3% para 5% sua recomendação de alocação em ações para investidores moderados. O banco atribui essa mudança à queda do dólar e ao retorno do fluxo estrangeiro ao mercado acionário nacional — fatores que, segundo a instituição, podem aliviar pressões inflacionárias e, com isso, conter novos aumentos na taxa de juros.

A movimentação internacional também contribui para essa visão mais positiva. Preocupações com os efeitos das políticas tarifárias do presidente Donald Trump sobre a economia dos Estados Unidos têm levado investidores a redirecionar capital para outras regiões, incluindo o Brasil. Para Martin Iglesias, especialista em alocação de ativos do Itaú Unibanco, esse movimento explica parte da recuperação recente da Bolsa brasileira.

Na prática, o portfólio recomendado pelo Itaú segue dominado pela renda fixa: 53% dos investimentos sugeridos estão em pós-fixados como o Tesouro Selic, 27% em títulos atrelados à inflação e 5% em prefixados. O banco ainda indica 3% em fundos de renda fixa ativa e 7% em multimercados. Em relação à Bolsa, o Itaú recomenda diversificação entre ações brasileiras e papéis de empresas americanas com proteção cambial.

A Ágora Investimentos, corretora ligada ao Bradesco, também vê a renda fixa como protagonista. Para a especialista Ellen Steter, a decisão do Copom reforçou a atratividade dos títulos pós-fixados, que acompanham diretamente os juros e oferecem baixo risco. Atualmente, esses papéis rendem 14,25% ao ano e representam 58% da carteira recomendada para investidores moderados.

Somando os títulos pós-fixados, os atrelados à inflação (16,5%) e os prefixados (5%), a renda fixa compõe 79,5% da carteira sugerida pela Ágora. Já a Bolsa ocupa uma fatia modesta, de 4%. O restante do portfólio é dividido entre ativos internacionais, multimercados e investimentos alternativos, como fundos imobiliários. Mesmo reconhecendo o potencial das ações no médio prazo, Steter ressalta que, no curto prazo, os prêmios da renda fixa seguem bastante atrativos.

O Santander, por sua vez, adota uma visão mais cautelosa em relação à economia brasileira. O banco projeta que a Selic chegue a 15,5% ao ano e vê um cenário fiscal incerto, com aumento dos gastos públicos e inflação estimada em 6% para o fim de 2025 — bem acima da meta oficial de 3%. Com isso, a instituição recomenda uma postura defensiva, mantendo o foco na renda fixa e reduzindo a exposição à Bolsa.

As recomendações do Santander para o primeiro trimestre de 2025 priorizam três pilares da renda fixa: o Tesouro Selic, considerado seguro e alinhado à Selic; os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), que oferecem boa rentabilidade e são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos; e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e do Agronegócio (LCAs), que são isentas de Imposto de Renda. Para o estrategista Caio Camargo, ter uma carteira bem estruturada e alinhada ao perfil de risco do investidor é essencial, principalmente em momentos de instabilidade econômica.

Já o BTG Pactual também recomenda uma abordagem mais conservadora. A instituição sugere que carteiras balanceadas tenham 75% de seus ativos em renda fixa. Desse total, 42% devem estar em títulos pós-fixados, 30% em papéis atrelados à inflação e apenas 3% em prefixados. O restante da carteira pode incluir 13% em multimercados, 7,5% em ações brasileiras e 4,5% em ativos alternativos como fundos imobiliários, criptoativos e moedas.

O BTG projeta que a Selic ainda suba e atinja 15,25% ao ano, mas destaca a baixa visibilidade sobre os próximos meses. Para o banco, a falta de avanços na política fiscal compromete a credibilidade econômica e pressiona a curva de juros. Diante disso, o estrategista Frasson recomenda que investidores priorizem ativos conservadores, como títulos pós-fixados e indexados à inflação, em vez de assumir riscos com ações ou prefixados de longo prazo.

Nesse cenário de juros elevados e incertezas econômicas, os grandes bancos convergem em um ponto: a renda fixa voltou a dominar as carteiras e se mostra, ao menos por ora, como a classe de ativos mais segura e rentável para o investidor brasileiro.

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