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Inadimplência atinge 30,4% das famílias e bate recorde histórico

Inadimplência das famílias chega a 30,4% em agosto e bate recorde histórico, mostra CNC

A inadimplência das famílias brasileiras alcançou em agosto de 2025 o maior patamar já registrado desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice chegou a 30,4% dos lares, enquanto o percentual dos que declararam não ter condições de pagar dívidas atrasadas subiu para 12,8%, o maior desde dezembro de 2024.

Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, os números indicam que o endividamento ultrapassou a capacidade de pagamento de parte significativa das famílias. “Isso se dá especialmente em um cenário de crédito mais caro e prazos mais curtos. É um sinal de alerta importante para a economia doméstica”, afirmou.

O endividamento também seguiu em alta pelo sétimo mês consecutivo, atingindo 78,8% das famílias — o maior nível desde novembro de 2022. Apesar disso, a percepção dos consumidores mostrou nuances: o grupo que se declara “muito endividado” caiu para 15,4%, enquanto aumentou a fatia dos que se consideram “mais ou menos endividados”, agora em 29,9%.

De acordo com o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o avanço da inadimplência reforça a necessidade de fortalecer a educação financeira e o uso consciente do crédito. Projeções da entidade indicam que o endividamento deve aumentar 3,1 pontos percentuais até o fim do ano, enquanto a inadimplência avançará 1,6 ponto.

Entre os poucos sinais positivos está a redução no comprometimento médio da renda com dívidas, de 29,6% em agosto de 2024 para 29,3% — o menor nível desde maio de 2019. Também diminuiu a parcela de famílias que gastam mais da metade da renda com dívidas, de 18,9% para 18,6%. Ainda assim, a pesquisa mostra que os prazos de endividamento estão cada vez mais curtos, aumentando a pressão no orçamento. O percentual de dívidas acima de um ano caiu para 31%, enquanto cresceram compromissos entre três e seis meses.

No detalhamento por modalidade, o cartão de crédito permanece como principal fonte de endividamento, utilizado por 84,5% dos lares. Os carnês aparecem em segundo lugar, com crescimento de 0,9 ponto em um ano.

O recorte por renda mostra que a inadimplência avançou sobretudo entre famílias com ganhos acima de três salários mínimos, em especial no grupo acima de dez salários. Já o endividamento cresceu mais entre lares com rendimentos entre três e cinco salários mínimos. No recorte de gênero, as mulheres foram as mais impactadas: a inadimplência entre elas subiu 1,9 ponto percentual, enquanto entre os homens houve leve recuo.

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