A crise envolvendo o Banco Master ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (9). O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, terá uma reunião com o presidente da instituição, Daniel Vorcaro, em Brasília, dias após o regulador ter barrado a venda de parte do Master ao Banco de Brasília (BRB).
O encontro está marcado para o fim da tarde, na sede do BC, e contará também com a participação dos diretores Ailton de Aquino Santos (Fiscalização) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e Resolução), este último por videoconferência. Ambos foram responsáveis pela análise que resultou na rejeição do negócio.
O veto do BC frustrou a tentativa do Master de garantir fôlego financeiro com a entrada do BRB como sócio. Analistas avaliam que a decisão pode acelerar cenários extremos, como intervenção ou liquidação extrajudicial, caso não surja rapidamente uma alternativa de mercado. Uma eventual liquidação acionaria o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por proteger aplicações de até R$ 250 mil por CPF, o que poderia consumir uma fatia relevante das reservas do fundo.
Nos últimos anos, o Master chamou atenção pela forma de crescer: captando recursos com CDBs de rentabilidade acima da média, cobertos pelo FGC, e direcionando-os a ativos arriscados e de baixa liquidez, como precatórios e ações de empresas em dificuldades. Essa estratégia trouxe questionamentos sobre a sustentabilidade do modelo.
Embora o escopo da transação com o BRB tenha sido reduzido ao longo das negociações — passando de quase R$ 50 bilhões para menos de R$ 24 bilhões em ativos —, o Banco Central concluiu que a operação não reduzia os riscos.
O episódio ocorre em meio a mudanças regulatórias. Recentemente, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou regras mais duras para uso de garantias do FGC, desestimulando que bancos concentrem suas captações em produtos segurados pelo fundo.
Enquanto Vorcaro se reúne com Galípolo, executivos do BRB também terão uma audiência com os diretores do BC. O presidente Paulo Henrique Costa e o diretor-executivo de Finanças e Controladoria, Dario Oswaldo Garcia Junior, participarão por videoconferência. A expectativa é que as conversas indiquem se ainda há espaço para reconsiderar a operação ou se o Master terá de buscar outro desfecho para sua crise.









