Documentos analisados pela Polícia Federal indicam que operações entre o Banco Master e o Banco de Brasília envolveram a venda de ativos com valores superiores aos registrados na contabilidade interna da instituição privada. Entre julho de 2024 e janeiro de 2025, o banco controlado por Daniel Vorcaro teria transferido carteiras e instrumentos financeiros ao Banco de Brasília por R$ 9,9 bilhões, embora o valor contábil desses ativos somasse cerca de R$ 7,5 bilhões, o que representa um ágio aproximado de R$ 2,4 bilhões.
Os registros fazem parte de materiais apreendidos no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades na estruturação e venda de ativos financeiros. Segundo as investigações, o fluxo de recursos obtido com essas operações teria contribuído para sustentar a liquidez do Banco Master em um período anterior à formalização de negociações envolvendo a instituição.
Além das transações realizadas no início de 2025, os dados indicam que o BRB também teria direcionado ao menos R$ 8,4 bilhões ao Banco Master entre julho e dezembro de 2024, por meio de diferentes instrumentos financeiros. Ainda não há confirmação, nesse intervalo inicial, de que os ativos negociados apresentassem inconsistências, mas a diferença entre os valores contábil e de venda passou a ser analisada pelas autoridades.
Os documentos extraídos de dispositivos de executivos do banco detalham a composição das operações, que envolveram carteiras de crédito consignado, cédulas de crédito bancário, certificados de depósito interbancário, certificados de recebíveis imobiliários e créditos vinculados a outras instituições. Em alguns casos específicos, a valorização dos ativos negociados superou 90% em relação ao valor registrado internamente.
A partir de janeiro de 2025, a investigação aponta a criação de carteiras consideradas irregulares como forma de manter o fluxo de recursos. Essas operações teriam elevado o volume total pago pelo BRB a cerca de R$ 12,2 bilhões em ativos posteriormente questionados.
As apurações também incluem a atuação de executivos envolvidos na negociação das cessões. Registros de comunicação mostram tratativas diretas para formalização de contratos de transferência de ativos entre as instituições.
No contexto da investigação, a Polícia Federal realizou a prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sob suspeita de favorecimento nas operações. A defesa do executivo não apresentou manifestação até o momento, assim como o banco público.
O caso ocorre em um cenário de maior atenção regulatória ao mercado de crédito privado, com potenciais implicações sobre governança, avaliação de ativos e práticas de securitização no sistema financeiro.










