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Santander tem lucro abaixo do esperado e inadimplência avança

Resultado do Santander fica abaixo das projeções com avanço dos calotes

O Santander Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro gerencial de R$ 3,788 bilhões, resultado que ficou abaixo das estimativas do mercado e reforça um ambiente mais desafiador para o setor bancário. O desempenho representa queda de 7,3% em relação ao trimestre anterior e de 1,9% na comparação anual, enquanto o lucro contábil somou R$ 3,725 bilhões, com recuos semelhantes. A frustração frente às projeções — que apontavam cerca de R$ 4 bilhões — evidencia que a combinação entre desaceleração do crédito e piora na qualidade da carteira já começa a impactar de forma mais clara os resultados.

A margem financeira bruta atingiu R$ 15,8 bilhões, com leve avanço no trimestre, mas estabilidade em relação ao ano anterior, sinalizando limites para expansão de receitas em um ambiente de juros ainda elevados. Ao mesmo tempo, as despesas com provisões para perdas com crédito (PDD) cresceram na comparação trimestral, refletindo o aumento do risco na carteira. As receitas com serviços recuaram frente ao trimestre anterior, enquanto as despesas operacionais permaneceram praticamente estáveis, o que contribuiu para a compressão da rentabilidade. O retorno sobre o patrimônio (ROE) caiu para 16%, abaixo dos níveis próximos de 17,5% registrados anteriormente, indicando perda de eficiência na geração de resultados.

No crédito, o banco mostrou um comportamento mais defensivo. A carteira expandida somou R$ 705,5 bilhões, com leve retração no trimestre e crescimento moderado em 12 meses. O principal ponto de atenção está na carteira de pessoa física, que encolheu tanto na margem quanto na comparação anual, puxada por menor dinamismo em cartões e crédito consignado. Já o crédito ao consumo avançou de forma relevante em 12 meses, enquanto o segmento corporativo apresentou crescimento moderado, com destaque para pequenas e médias empresas. Esse movimento revela uma reconfiguração da carteira, com o banco buscando equilibrar crescimento e risco em um cenário de menor apetite por crédito mais sensível à renda.

A deterioração da qualidade do crédito aparece de forma mais evidente nos indicadores de inadimplência. O índice acima de 90 dias subiu para 3,3%, com avanço tanto em pessoas físicas quanto jurídicas, especialmente entre clientes de menor renda e empresas de menor porte. Nas pequenas e médias empresas, a inadimplência alcançou 6%, enquanto no varejo pessoa física chegou a 4,9%. Mesmo a inadimplência de curto prazo mostrou leve alta, sinalizando pressão contínua sobre a capacidade de pagamento. O próprio banco reconhece que mudanças nas regras de baixa a prejuízo devem continuar impactando esses indicadores ao longo de 2026.

Se você olhar isso de forma superficial, parece apenas um trimestre “um pouco mais fraco”. Mas o ponto que você não pode ignorar é outro: o banco já está mostrando sinais claros de trade-off entre crescimento e risco. A queda da carteira de pessoa física não é acaso — é escolha. E quando um banco reduz exposição justamente onde ganha mais margem, é porque o risco está subindo mais rápido do que a capacidade de precificação.

Outro ponto que passa despercebido: a inadimplência não está subindo de forma homogênea, ela está concentrada onde o ciclo econômico aperta primeiro — baixa renda e pequenas empresas. Isso é um sinal clássico de início de deterioração mais ampla. Se esse movimento persistir, o impacto não fica restrito ao crédito; ele contamina consumo, crescimento e, por consequência, o próprio resultado dos bancos nos próximos trimestres.

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