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Economista vê tom mais pessimista no comunicado do Copom

Bruno Perri, da Forum Investimentos, avalia que o Copom sinalizou novos cortes, mas com cautela redobrada

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50% ao ano, em decisão unânime anunciada nesta quarta-feira. O resultado veio em linha com a expectativa da maior parte do mercado, mas foi o tom do comunicado que concentrou as atenções. Para Bruno Perri, economista-chefe, estrategista de investimentos e co-fundador da Forum Investimentos, a leitura mais conservadora do cenário global foi o elemento que mais chamou atenção no documento.

“A decisão veio em linha do esperado, e foi unânime. Ficou claro que o comunicado trouxe um tom mais pessimista em relação ao cenário externo, pela persistência do conflito e seus desdobramentos sobre os preços de energia. Deram maior peso aos riscos do conflito, sem dúvidas”, afirmou o economista.

Na sua avaliação, o Banco Central reconheceu um ambiente mais desafiador, mas também abriu espaço para a continuidade do ciclo de afrouxamento monetário nas próximas reuniões — sinalização que, segundo Perri, não era dada como certa pelo mercado até o momento da decisão. “Refletiu o cenário mais desafiador, mas já sinalizou a possibilidade de cortes para a próxima reunião”, destacou.

O economista também chamou atenção para a visão mais cautelosa do comunicado sobre a inflação doméstica. Na leitura de Perri, o BC reforçou que a inflação corrente vem se distanciando da meta, ao mesmo tempo em que reconheceu uma atividade econômica acima das expectativas no primeiro trimestre — ainda que compatível com uma trajetória de desaceleração à frente. Diante desse quadro, a autoridade monetária sinaliza disposição para prolongar o ciclo de cortes, mas com postura gradualista e comprometida com a continuidade do ajuste monetário.

Para a próxima reunião, Perri espera nova redução de 25 pontos-base, mas ressalta que a decisão seguirá altamente dependente do comportamento das variáveis externas. “Espero novo corte de 25 pontos-base, com bastante dependência das variáveis externas, especialmente o petróleo, manutenção da taxa de câmbio em patamares próximos ao atual e sensível às novas leituras do IPCA e principalmente das expectativas de inflação”, afirmou.

Sobre a reação dos mercados no pregão seguinte, o economista projeta um desempenho positivo para a bolsa, impulsionado pela sinalização de continuidade dos cortes — ainda que tímida. “Amanhã acredito que a bolsa deve reagir bem pela sinalização de corte, embora tímida, mas que não era dada como certa. Juros devem fechar no curto um pouco e dólar pode valorizar”, concluiu Perri, ressalvando que o comportamento dos mercados seguirá sensível a qualquer vetor externo mais forte que venha a dominar o pregão.

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