A Shell confirmou que seguirá com o aporte de R$ 3,5 bilhões na Raízen, em meio ao processo de recuperação extrajudicial da companhia controlada em parceria com a Cosan.
A informação foi reforçada nesta terça-feira pelo presidente da Shell no Brasil, Cristiano Pinto da Costa, durante evento do setor de petróleo realizado no Rio de Janeiro.
Segundo o executivo, as negociações envolvendo credores, acionistas e administração da Raízen avançam com expectativa de conclusão até 8 de junho, prazo previsto para apresentação do plano de reestruturação financeira da companhia.
A Raízen possui dívida líquida estimada em cerca de R$ 52 bilhões e tenta obter adesão mínima dos credores para viabilizar o processo de renegociação.
De acordo com Pinto da Costa, a companhia vem executando medidas operacionais de ajuste desde 2024, incluindo redução de custos, revisão do portfólio de ativos, venda de usinas menos rentáveis e reposicionamento das operações de varejo.
O executivo afirmou que a gestão da empresa conseguiu recuperar parte das margens operacionais e melhorar a credibilidade da companhia no mercado.
A deterioração financeira da Raízen foi atribuída a uma combinação de fatores que afetaram simultaneamente o setor de energia e biocombustíveis.
Entre eles, a Shell citou a queda dos preços internacionais do açúcar e do etanol, desaceleração da transição energética global, redução da demanda por biocombustíveis, avanço do mercado ilegal de combustíveis, aumento do endividamento e ciclo prolongado de juros elevados no Brasil.
Além do aporte da Shell, existe expectativa de injeção adicional de R$ 500 milhões pela holding ligada ao empresário Rubens Ometto.
Já a Cosan informou recentemente que não pretende realizar novos aportes na Raízen e avalia reduzir sua participação no negócio após a reestruturação financeira.
Durante teleconferência com investidores na última semana, o presidente da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que a holding poderá deixar de integrar o acordo de acionistas da companhia no futuro.
O movimento pode resultar em diluição relevante da participação da Cosan na joint venture.
No mesmo evento, Cristiano Pinto da Costa afirmou que o Brasil continua sendo um fornecedor estratégico e confiável de petróleo para o mercado internacional, mas alertou para a necessidade de estabilidade regulatória e previsibilidade tributária para atrair investimentos de longo prazo.
Segundo o executivo, países como Guiana, Suriname, Argentina e nações africanas têm ampliado competitividade na disputa global por capital destinado ao setor de óleo e gás.
A Shell também demonstrou preocupação com medidas tributárias recentes adotadas pelo governo brasileiro, incluindo a criação temporária do imposto sobre exportação de petróleo.
O tema está ligado à Medida Provisória que criou subsídio ao diesel e elevou a tributação sobre exportações de petróleo para compensar perdas de arrecadação.
O presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, Roberto Ardenghy, afirmou que a expectativa do setor é de que a medida perca validade caso não seja votada pelo Congresso até julho.









