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Citi reduz perspectiva para Braskem com queda dos preços de resinas

Banco vê piora no setor petroquímico, reduz perspectiva para Braskem e cita pressão sobre liquidez, demanda fraca e aumento da oferta global

O Citi reforçou sua visão negativa para a Braskem (BRKM5) ao afirmar que o mercado petroquímico entrou em uma tendência de baixa durante junho, pressionando os preços das principais resinas e reduzindo as perspectivas para o setor. Em relatório mensal, o banco reiterou a recomendação de venda/alto risco para as ações da companhia e manteve o preço-alvo em R$ 4,50, o que representa potencial de queda de 26,7% em relação às cotações recentes.

Segundo os analistas Gabriel Barra, Pedro Gama e Andrés Cardona, a deterioração do cenário decorre da combinação entre demanda global enfraquecida, aumento da oferta e redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que eliminaram o chamado “prêmio de guerra” embutido nos preços do petróleo. Com isso, compradores passaram a adiar aquisições e aproveitar a maior oferta de produtos da Ásia e da América do Norte para negociar descontos em mercados como Europa e América do Sul.

Na avaliação do Citi, esse ambiente amplia os desafios para a Braskem, que já enfrenta restrições de liquidez e conduz um processo de reestruturação financeira. Para o banco, a piora das condições do mercado petroquímico reduz as perspectivas de recuperação da companhia no curto prazo.

O relatório destaca que o mercado brasileiro de polipropileno (PP) registrou novas quedas de preços em junho. Produtores locais concederam descontos relevantes diante da demanda fraca e da elevada oferta disponível na região. Segundo o Citi, a expectativa é de continuidade desse movimento, acompanhando a tendência observada no mercado internacional e a maior disponibilidade de produtos importados.

No segmento de polietileno (PE), o banco também observa forte redução de preços no mercado doméstico. Fabricantes anunciaram reajustes negativos, enquanto compradores negociaram descontos ainda maiores, apostando na continuidade da queda das cotações. Além da demanda enfraquecida, o Citi destaca que muitos transformadores seguem consumindo estoques antes de realizar novas compras.

O cenário também permanece desafiador para o PVC. De acordo com o relatório, grandes clientes conseguiram manter contratos em níveis próximos aos anteriores, mas empresas de médio e pequeno porte negociaram reduções próximas de 12% em moeda local. O banco atribui essa pressão ao fraco desempenho da construção civil e ao aumento da concorrência de produtos importados.

Além das condições de mercado, o Citi também atualizou os investidores sobre o processo de reestruturação da Braskem. Os analistas destacam que a companhia obteve decisão favorável do Tribunal de Justiça de São Paulo suspendendo, por 60 dias, execuções judiciais movidas por credores, dentro de uma medida cautelar.

O banco também lembra que, segundo informações divulgadas ao mercado, a S&P Global Ratings rebaixou a nota de crédito corporativa da Braskem para “D”, entendimento baseado na avaliação de que a suspensão temporária de obrigações caracteriza situação de inadimplência geral.

Outro ponto de atenção citado pelo Citi envolve o relacionamento comercial da empresa. Conforme reportagens mencionadas pelo banco, o avanço das negociações de reestruturação aumentou a preocupação entre clientes, levando a Braskem a adotar condições comerciais mais rígidas, como redução dos prazos de pagamento e, em alguns casos, exigência de pagamento à vista.

Na avaliação do Citi, a combinação entre queda dos preços petroquímicos, excesso de oferta, demanda global enfraquecida e desafios financeiros continua limitando o potencial de recuperação da Braskem, mantendo a companhia entre as teses menos atrativas do setor.

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