O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para as ações da Vale (VALE3), afirmando que as recentes mudanças no conselho de administração geraram mais ruído do que riscos efetivos para a tese de investimento da mineradora. O banco manteve o preço-alvo de US$ 18 para os ADRs negociados em Nova York, estimando potencial de retorno total de 30,3%, considerando tanto a valorização dos papéis quanto a distribuição de dividendos.
Na avaliação dos analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, não há elementos que indiquem mudanças na estratégia da companhia ou impactos relevantes sobre a operação. Para o banco, a repercussão em torno das alterações no conselho superestima os possíveis efeitos para a empresa. “Embora os recentes acontecimentos no conselho não sejam ideais, não vemos razões para esperar uma mudança na direção estratégica da companhia ou qualquer impacto significativo em suas operações. O ruído em torno do tema parece exagerar suas implicações”, destacaram os analistas no relatório.
O BTG avalia que a atual equipe de gestão deve permanecer concentrada na execução da estratégia já adotada, baseada na excelência operacional, na expansão de projetos de cobre com menor necessidade de capital, na disciplina na alocação de recursos e na manutenção da política de geração e distribuição de caixa aos acionistas. O banco também considera reduzido o risco de interferência do governo na condução da mineradora.
A turbulência envolvendo a governança da companhia começou em junho, quando a Previ solicitou a saída do então presidente do conselho de administração, Daniel Stieler, e passou a defender a eleição de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para assumir o cargo. Apesar da renúncia de Stieler, o BTG entende que o episódio está mais relacionado à dinâmica interna da própria Previ do que a questões ligadas à gestão ou à estratégia da Vale.
A assembleia geral extraordinária marcada para 22 de julho definirá o novo presidente do conselho de administração. Os acionistas escolherão entre Ollie e Marcelo Gasparino. Na mesma reunião também será eleito um novo integrante do colegiado, em disputa entre José Maurício Coelho, indicado pela Previ, e Ieda Gomes Yell.
Segundo o BTG, independentemente do resultado da votação, não há expectativa de mudanças relevantes na condução estratégica da companhia. Na visão dos analistas, os candidatos defendem a continuidade das diretrizes atuais, o que reduz o risco de alterações significativas na gestão da Vale ou em sua tese de investimento.
Embora reconheça que os resultados do segundo trimestre de 2026 possam refletir alguma pressão de custos e não empolgar o mercado no curto prazo, o banco considera que os fundamentos da mineradora permanecem sólidos e continuam sustentando uma visão positiva para as ações.








