A ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos e ex-presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, afirmou que a economia americana atravessa uma nova fase marcada por choques sucessivos de oferta, tornando o controle da inflação mais difícil e exigindo cautela da política monetária.
Durante painel na Expert XP 2026, Yellen avaliou que fatores como a pandemia, os gargalos nas cadeias globais, as tarifas comerciais, os conflitos geopolíticos e os investimentos em inteligência artificial (IA) mantêm a inflação acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano.
Segundo Yellen, apesar do potencial da inteligência artificial para elevar a produtividade no futuro, o impacto atual da tecnologia tem sido inflacionário. Ela explicou que a corrida por data centers ampliou a demanda por semicondutores, energia e infraestrutura, pressionando custos em diversos setores.
Na avaliação da economista, ainda não há evidências de ganhos de produtividade capazes de justificar uma flexibilização da política monetária, o que deve levar o Fed a manter uma postura de cautela nos próximos meses.
A ex-presidente do Fed afirmou que o banco central deverá permanecer em compasso de espera, mas alertou que uma escalada das tensões no Oriente Médio e uma eventual alta do petróleo podem exigir novas elevações dos juros para conter a inflação.
Ela também ressaltou que o dólar segue como a principal moeda de reserva global, defendeu uma regulamentação rigorosa para as stablecoins e classificou o desequilíbrio fiscal dos Estados Unidos como um dos maiores desafios de longo prazo, diante do envelhecimento da população, do aumento dos gastos públicos e de juros estruturalmente mais elevados.










