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Santander decepciona no 2T26 com margem menor e forte alta das provisões

Banco elevou provisões em 21%, viu o spread cair para 10% e manteve Basileia de 15,3% no segundo trimestre de 2026

O Santander Brasil (SANB11) abriu a temporada de resultados dos grandes bancos no segundo trimestre de 2026 com números abaixo das expectativas do mercado, pressionados pelo aumento das provisões para perdas com crédito, pela redução da margem financeira e pelo enfraquecimento das receitas. Embora a carteira tenha continuado crescendo e os indicadores de capital permaneçam sólidos, a combinação entre menor geração operacional e despesas maiores com inadimplência reduziu de forma relevante a rentabilidade da instituição.

O banco registrou lucro líquido gerencial de R$ 3,014 bilhões entre abril e junho, queda de 20% em relação ao primeiro trimestre e de 18% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado ficou entre 16% e 20% abaixo das estimativas de mercado e das projeções das principais instituições que acompanham a companhia.

A deterioração foi ainda mais acentuada antes dos efeitos tributários. O lucro antes dos impostos somou R$ 2,54 bilhões, recuo de 45% na comparação trimestral e de 40% em um ano. O número ficou até 48% abaixo de algumas previsões, mas parte do impacto foi compensada por uma alíquota efetiva de imposto negativa de 23%, que ajudou a sustentar o lucro líquido do período.

Com o resultado mais fraco, o retorno sobre o patrimônio líquido caiu para 12,5%, ante 16% no primeiro trimestre e 16,4% no segundo trimestre do ano passado. Segundo o Goldman Sachs, o indicador atingiu o menor nível em quase três anos, reforçando as dúvidas sobre a capacidade do Santander de recuperar a rentabilidade no curto prazo.

O principal fator de pressão veio das provisões para devedores duvidosos. As despesas destinadas à cobertura de possíveis perdas com crédito atingiram R$ 7,65 bilhões, aumento de 21% em relação aos três primeiros meses do ano e de 12% na comparação anual. O banco atribuiu o movimento a casos corporativos específicos, provisões adicionais no atacado, mudanças na metodologia de baixas contábeis e a um ambiente de crédito mais desafiador.

A interpretação sobre a qualidade dos ativos, porém, não foi uniforme entre os analistas. JPMorgan e Goldman Sachs destacaram que a inadimplência superior a 90 dias permaneceu estável em 3,3%, mas foi beneficiada pela nova política de write-offs, que antecipou a baixa de créditos considerados problemáticos. Sem esse efeito, o indicador teria subido para aproximadamente 3,6%. A cobertura dos créditos classificados no estágio 3 também recuou, passando de 67,6% para 65%.

O Bradesco BBI apresentou uma avaliação mais favorável. O banco observou melhora nos indicadores antecedentes de inadimplência, principalmente entre pequenas e médias empresas. O índice de atrasos entre 15 e 90 dias caiu para 3,3%, com redução de 0,30 ponto percentual no segmento de PMEs, movimento considerado positivo não apenas para o Santander, mas para o sistema bancário como um todo.

A margem financeira também foi um dos principais pontos negativos do balanço. A receita líquida de juros total caiu 3% em relação ao primeiro trimestre e ficou abaixo das projeções das casas de análise. A margem com clientes apresentou a mesma retração, enquanto o spread recuou de 10,4% para 10%.

O JPMorgan afirmou que a magnitude da compressão dos spreads não pode ser explicada apenas pela decisão do banco de reduzir a exposição ao varejo de maior risco. A instituição observou que linhas como financiamento ao consumo e crédito corporativo continuaram crescendo, tornando a evolução da margem financeira um dos principais pontos a serem acompanhados nos próximos balanços.

Na avaliação do Bradesco BBI, a redução da margem também refletiu uma composição mais conservadora da carteira, a menor presença no segmento de massa e o aumento das despesas com comissões diferidas de correspondentes bancários. Embora esse posicionamento possa reduzir os riscos de inadimplência, ele também tende a limitar a rentabilidade e a manter as receitas sob pressão.

O Itaú BBA classificou o resultado como negativo, destacando que receitas mais fracas se combinaram com provisões significativamente maiores. Segundo os analistas, a carteira assumiu um perfil mais defensivo, com expansão concentrada em financiamento de veículos, pequenas e médias empresas e grandes companhias, enquanto as modalidades de varejo de maior risco continuaram encolhendo.

As receitas de tarifas e serviços também não contribuíram para compensar a piora. O total recuou cerca de 2% no trimestre, com quedas nas linhas de seguros, operações de crédito e corretagem. Cartões e gestão de recursos apresentaram desempenho positivo, mas insuficiente para evitar a retração do conjunto das receitas de serviços.

A carteira de crédito expandida cresceu 1,3% na comparação com o primeiro trimestre e 5,8% em 12 meses. O financiamento ao consumo avançou 6% no trimestre e 15% em relação ao mesmo período de 2025. O crédito para PMEs aumentou 12% em um ano, enquanto os empréstimos para grandes empresas cresceram aproximadamente 7%.

Em sentido contrário, os empréstimos pessoais recuaram 8% frente ao trimestre anterior, refletindo a estratégia de reduzir a exposição ao segmento de massa. A mudança diminui a participação de linhas potencialmente mais rentáveis, mas também mais sujeitas à inadimplência, reforçando o equilíbrio difícil entre risco e retorno enfrentado pelo banco.

As despesas operacionais permaneceram relativamente controladas, apoiadas pela redução da estrutura física e do quadro de funcionários. O Santander encerrou o período com aproximadamente 47,3 mil empregados, 12% a menos do que um ano antes. Mesmo assim, o índice de eficiência piorou, uma vez que a queda das receitas superou os efeitos dos cortes de custos.

Os indicadores de capital seguiram em níveis considerados confortáveis. O índice de Basileia encerrou o trimestre em 15,3%, enquanto o capital principal, medido pelo CET1, permaneceu estável em 11,2%. Esses números foram destacados pelo próprio Santander e por instituições como JPMorgan e Goldman Sachs como fatores de sustentação do balanço.

A reação das casas de análise permaneceu dividida. O Goldman Sachs reiterou recomendação de venda para SANB11, com preço-alvo de R$ 27. O Bradesco BBI manteve avaliação neutra e preço-alvo de R$ 29, enquanto o Itaú BBA reafirmou recomendação equivalente à neutra, com preço-alvo de R$ 32.

O JPMorgan preservou recomendação de compra, apesar de reconhecer que o resultado foi negativo e que a fraqueza da margem financeira representa o maior ponto de preocupação. Para o mercado, os próximos trimestres serão importantes para verificar se a estratégia mais defensiva do Santander conseguirá melhorar a qualidade do crédito sem prolongar a pressão sobre os spreads, as receitas e a rentabilidade.

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