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Bradesco reforça capital e antecipa R$ 6,5 bilhões em JCP

Controladores se comprometeram a subscrever até R$ 8 bilhões; acionistas poderão participar da operação entre 6 de agosto e 4 de setembro

O Bradesco (BBDC3; BBDC4) aprovou um aumento de capital de até R$ 10 bilhões para ampliar sua capacidade de investimento em tecnologia, eficiência comercial e expansão dos negócios. A operação contará com o compromisso dos acionistas controladores de subscrever até R$ 8 bilhões e poderá elevar o capital social do banco para até R$ 103 bilhões.

A medida foi aprovada pelo conselho de administração a pedido das acionistas controladoras e faz parte da estratégia de acelerar o processo de transformação operacional iniciado pelo banco nos últimos anos. Em comunicado ao mercado, o Bradesco afirmou que os novos recursos reforçarão sua capacidade de execução e sustentarão investimentos destinados a melhorar a produtividade, os canais digitais e a atuação comercial.

O aumento será realizado mediante a emissão de novas ações ordinárias e preferenciais. Os papéis ordinários serão oferecidos por R$ 15,43 cada, enquanto as ações preferenciais terão preço de subscrição de R$ 17,64. Segundo o banco, os valores incorporam um desconto de 6% para estimular a participação dos atuais acionistas.

Os investidores terão direito de preferência para acompanhar a operação e evitar a diluição de sua participação no capital do Bradesco. O período para exercício desse direito começará em 6 de agosto e terminará em 4 de setembro de 2026.

O compromisso dos controladores de subscrever até R$ 8 bilhões reduz a incerteza sobre a conclusão da operação e garante que a maior parte do montante potencial já conte com suporte dos principais acionistas. Caso o aumento seja integralmente subscrito, o banco receberá R$ 10 bilhões em dinheiro novo.

O presidente-executivo do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou que o aporte permitirá intensificar o processo de transformação da instituição. Desde que assumiu o comando, em novembro de 2023, o executivo vem conduzindo uma estratégia voltada à recuperação da rentabilidade, à reorganização da operação, ao controle de custos e à ampliação dos investimentos tecnológicos.

Noronha citou a evolução do retorno recorrente sobre o patrimônio líquido médio anualizado e a perspectiva de redução das taxas de juros no Brasil em 2026 e 2027 como fatores que tornam o momento favorável para a entrada de novos recursos no capital do banco.

Na avaliação do executivo, a expectativa de juros menores pode melhorar o ambiente para expansão do crédito, reduzir a pressão sobre a inadimplência e favorecer a recuperação das margens financeiras. O capital adicional permitirá que o Bradesco acelere investimentos sem comprometer seus indicadores prudenciais.

O aumento de capital, no entanto, também representa a emissão de uma quantidade adicional de ações. Os investidores que não exercerem o direito de preferência poderão ter sua participação percentual diluída. O desconto de 6% busca compensar esse efeito e tornar a subscrição mais atrativa.

Em conjunto com a capitalização, o conselho de administração aprovou a antecipação do pagamento de R$ 6,5 bilhões em juros sobre capital próprio já declarados. Os recursos seriam distribuídos originalmente em outubro de 2026 e janeiro de 2027, mas passarão a ser pagos em uma única data, em 15 de setembro.

O pagamento corresponderá a R$ 0,586 por ação ordinária e R$ 0,644 por ação preferencial, conforme informado pelo banco. A antecipação oferece aos acionistas liquidez em um momento próximo ao período de subscrição das novas ações.

Segundo Noronha, a mudança no calendário foi proposta pela diretoria para ampliar as opções dos investidores. Os acionistas poderão utilizar os valores recebidos para participar do aumento de capital ou destinar os recursos a outras finalidades.

A antecipação não representa a aprovação de um novo provento, mas apenas a alteração da data de pagamento de juros sobre capital próprio que já haviam sido declarados. O Bradesco mantém em sua área de relações com investidores o histórico e o calendário de remuneração aos acionistas.

A combinação entre aumento de capital e antecipação dos proventos procura equilibrar os interesses do banco e dos acionistas. Ao mesmo tempo em que reforça sua base patrimonial para financiar a transformação do negócio, o Bradesco disponibiliza recursos que poderão ser utilizados pelos investidores na própria subscrição.

Para o banco, a operação amplia a capacidade de investir em tecnologia, modernização dos sistemas, análise de dados, automação de processos e melhoria da experiência dos clientes. Esses investimentos são considerados centrais para recuperar eficiência e competitividade diante do avanço dos bancos digitais e das fintechs.

O reforço de capital também poderá dar maior flexibilidade para o crescimento da carteira de crédito quando o ambiente econômico se tornar mais favorável. A estratégia depende, porém, da capacidade do Bradesco de converter os novos investimentos em aumento de receitas, ganhos de produtividade e melhora consistente da rentabilidade.

A operação colocará no centro da avaliação dos investidores o retorno que poderá ser obtido com os R$ 10 bilhões. Embora o aporte fortaleça o balanço, a ampliação da quantidade de ações exige que os investimentos financiados pelos novos recursos produzam resultados suficientes para evitar uma diluição prolongada do lucro e do retorno por ação.

Com a subscrição assegurada em até R$ 8 bilhões pelos controladores, a discussão no mercado deverá se concentrar menos na viabilidade da captação e mais na capacidade de execução do Bradesco. O banco terá de demonstrar que o reforço patrimonial permitirá acelerar sua transformação e recuperar a rentabilidade sem elevar excessivamente os riscos.

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