O C6 Bank encerrou o primeiro semestre de 2026 com expansão do crédito e aumento da receita, mantendo a estratégia de concentrar a maior parte dos empréstimos em modalidades com garantia. O banco digital, que tem o JPMorganChase como sócio, registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão, crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2025.
A receita líquida avançou em ritmo superior ao lucro e alcançou R$ 6,3 bilhões, alta de 48% e recorde para um primeiro semestre. A rentabilidade, entretanto, recuou: o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) passou de 43% para 38% em 12 meses.
Parte relevante do crescimento veio da expansão da carteira de crédito, que chegou a R$ 99,8 bilhões em junho, 38% acima do registrado um ano antes. Financiamentos de veículos e crédito consignado estiveram entre os principais responsáveis pelo avanço. O banco também passou a operar o consignado privado voltado a trabalhadores com carteira assinada.
A composição da carteira ajuda a explicar a estratégia adotada pelo C6 para crescer em um ambiente de juros elevados e maior pressão sobre a capacidade de pagamento das famílias. Cerca de 82% das operações possuem algum tipo de garantia, com destaque para veículos e consignado. Na parcela sem garantia, formada principalmente por cartão de crédito, a instituição afirma concentrar a concessão em clientes de renda mais elevada.
“Temos conseguido manter uma trajetória consistente de crescimento, apoiada em um modelo de negócio sólido e em uma estratégia de concessão de crédito que prioriza operações com garantia”, afirmou Marcelo Kalim, CEO do C6 Bank. Segundo ele, essa composição permite ao banco continuar expandindo a carteira mesmo diante de um cenário macroeconômico mais restritivo.
O crescimento do crédito, porém, veio acompanhado de aumento das provisões. A provisão para devedores duvidosos (PDD) passou de R$ 996 milhões para R$ 2,4 bilhões em 12 meses. A inadimplência acima de 90 dias também aumentou, de 3,2% em junho de 2025 para 3,6% no encerramento do primeiro semestre deste ano.
Segundo o banco, parte dessa evolução está relacionada aos efeitos da Resolução CMN nº 4.966, que alterou critérios de reconhecimento e provisionamento das perdas esperadas com operações de crédito. O avanço simultâneo da carteira, das provisões e da inadimplência coloca a qualidade dos ativos entre os indicadores a serem acompanhados nos próximos trimestres, especialmente diante da expectativa do banco de continuar acelerando a concessão.
A expansão também foi acompanhada por maior captação. Os recursos obtidos por meio de CDBs e instrumentos semelhantes chegaram a R$ 112,9 bilhões, crescimento de 36% em um ano. Considerando também os depósitos à vista, a captação total atingiu R$ 125,6 bilhões, alta de 34%. Kalim afirmou que o custo de captação vem diminuindo ao longo do tempo.
Ao mesmo tempo, o banco apresentou melhora de eficiência operacional. O índice que relaciona despesas operacionais e receita líquida caiu de 46% no primeiro semestre de 2025 para 42% neste ano, indicando que as receitas avançaram em ritmo superior aos custos da operação.
O balanço também ocorre após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, anunciado nesta semana. A varejista possui dívida de R$ 78,4 milhões com o C6, mas, segundo Kalim, a exposição não teve impacto sobre o resultado do semestre. “Não afetou nem afetará em nada nosso resultado”, afirmou.
Com R$ 171 bilhões em ativos ao fim de junho, o C6 pretende manter a expansão apoiada principalmente no financiamento de veículos e em modalidades de crédito com garantia. O desempenho dos próximos trimestres deverá mostrar se o banco conseguirá sustentar esse crescimento e a rentabilidade enquanto administra o aumento das provisões e da inadimplência.










