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Juros disparam nos EUA e derrubam Wall Street antes da ata do Fed

Nasdaq caiu 1,33% e S&P 500 recuou 0,69% em meio à alta do petróleo e dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano

Wall Street encerrou esta terça-feira (18) novamente no vermelho, em um pregão marcado pela disparada dos juros dos Treasuries, petróleo acima de US$ 90 e cautela antes da divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed). O Dow Jones caiu 0,22%, aos 53.343,64 pontos, o S&P 500 recuou 0,69%, aos 7.691,91 pontos, e o Nasdaq perdeu 1,33%, aos 26.289,711 pontos.

A pressão veio principalmente do mercado de títulos. O rendimento do Treasury de 30 anos chegou a 5,337%, maior nível desde 2002, enquanto o papel de 10 anos atingiu 4,748%, máxima desde 2007. Para Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, o movimento reflete inflação resistente, petróleo mais caro, déficits fiscais elevados e aumento da emissão de dívida. “Nos EUA, o quadro é agravado por déficits anuais próximos de US$ 2 trilhões, uma dívida pública caminhando para US$ 40 trilhões e uma oferta crescente de títulos corporativos ligados aos investimentos em inteligência artificial”, afirmou.

Os yields perderam parte da força à tarde após indicadores abaixo das expectativas. As construções de novas moradias recuaram 12,4% em julho, ante projeção de queda de 6,6%, enquanto a produção industrial avançou 0,2%, abaixo dos 0,3% esperados. Investidores agora aguardam a ata do Fed, que será divulgada nesta quarta-feira (19). Em julho, o banco central manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano pela quinta reunião consecutiva.

O petróleo acrescentou pressão ao mercado após declarações do presidente Donald Trump reduzirem as expectativas de novas negociações entre Estados Unidos e Irã. “Não há negociações ou conversas em andamento, nem agendadas, com a República Islâmica do Irã”, afirmou. O Brent para outubro terminou o pregão em alta de 0,17%, a US$ 91,02 o barril.

A combinação de petróleo elevado e juros longos em máximas de décadas aumenta a preocupação dos investidores porque pode dificultar a desaceleração da inflação e restringir o espaço para cortes de juros pelo Fed. Nesse ambiente, ativos de maior risco, especialmente ações de crescimento e tecnologia, ficam mais sensíveis às mudanças nas expectativas para a política monetária norte-americana.

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