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Brasil está entre emergentes com empresas mais endividadas

UBS BB aponta maior pressão sobre empresas endividadas do Brasil e destaca utilities, materiais e varejo entre setores mais expostos

As empresas brasileiras estão entre as mais alavancadas dos mercados emergentes e podem ficar mais expostas caso o ambiente internacional de juros elevados persista por mais tempo. A avaliação é do UBS BB, que identificou o Brasil entre os países que apresentam maior pressão de endividamento corporativo dentro do grupo analisado pelo banco.

O alerta ganha relevância em um cenário no qual investidores continuam discutindo por quanto tempo os juros dos Estados Unidos permanecerão em níveis elevados. Para empresas com maior volume de dívida, taxas altas podem encarecer o refinanciamento, pressionar despesas financeiras e limitar recursos disponíveis para investimentos e expansão.

Os estrategistas Sunil Tirumalai, Karen Hizon e Kruti Shah, responsáveis pelo levantamento, destacam que a exposição não é uniforme entre os mercados. Brasil e Filipinas aparecem entre os países com maior alavancagem corporativa. Em outros indicadores utilizados pelo banco para avaliar o peso das dívidas, Brasil e Vietnã também aparecem entre os mercados sob maior pressão.

Na direção contrária, Taiwan, Coreia do Sul e Emirados Árabes Unidos apresentam níveis mais baixos de endividamento nos recortes analisados.

Apesar da posição brasileira, o UBS ressalta que o quadro geral das empresas dos mercados emergentes melhorou desde a pandemia. A alavancagem corporativa vem diminuindo e permanece, de maneira agregada, abaixo dos níveis observados nas companhias americanas.

Essa melhora, porém, não elimina as diferenças entre países, setores e empresas. Para o banco, são justamente essas exceções que passam a exigir maior atenção caso os rendimentos dos títulos americanos permaneçam elevados.

Companhias com maior alavancagem tendem a sentir com mais intensidade a permanência dos juros altos porque parte das dívidas precisa ser renovada ao longo do tempo. Quando o refinanciamento ocorre a taxas superiores às contratadas anteriormente, a despesa financeira aumenta e pode comprometer margens, lucro e geração de caixa.

Para empresas brasileiras, o risco pode ser ampliado pela combinação das condições financeiras internacionais com o custo do crédito doméstico. Juros elevados reduzem a vantagem de empresas que dependem mais intensamente de capital de terceiros e aumentam a importância de fatores como prazo das dívidas, indexadores, posição de caixa e capacidade de geração de recursos.

O UBS identifica ainda diferenças relevantes entre os setores. Utilities, materiais e varejo estão entre os segmentos com balanços mais pressionados na amostra que reúne mercados emergentes e da região Ásia-Pacífico.

A exposição setorial ajuda a explicar por que uma elevação dos juros não produz os mesmos efeitos sobre todas as ações. Empresas com baixo endividamento e elevada geração de caixa podem atravessar períodos prolongados de taxas altas com menor impacto, enquanto companhias alavancadas ficam mais sensíveis ao custo de financiamento.

Os estrategistas também analisaram a relação entre os rendimentos dos títulos americanos e o comportamento das Bolsas emergentes. Segundo o UBS, essa dinâmica mudou ao longo do tempo e não deve ser interpretada apenas pelo movimento nominal dos yields.

Atualmente, o componente dos juros reais americanos tende a exercer influência maior sobre as ações dos mercados emergentes do que as expectativas de inflação implícitas nos títulos, conhecidas como breakevens.

Juros reais mais altos nos Estados Unidos aumentam a remuneração oferecida por ativos considerados de menor risco e podem reduzir a atratividade relativa de investimentos em economias emergentes. Esse movimento afeta tanto os fluxos de capital quanto o custo de financiamento das empresas.

Para identificar onde essa vulnerabilidade pode ser maior, o UBS aplicou diferentes filtros ao universo de ações dos mercados emergentes e da Ásia-Pacífico. Um deles selecionou papéis que historicamente apresentaram desempenho negativo em períodos de alta dos rendimentos americanos.

Outro levantamento identificou as empresas mais alavancadas dentro de cada mercado. A combinação desses critérios permite localizar companhias que podem enfrentar simultaneamente pressão sobre suas ações e maior exposição financeira caso os juros permaneçam elevados.

Na avaliação do banco, essa análise ganha importância especialmente na América Latina e em outros mercados nos quais a alavancagem corporativa está acima da média.

O levantamento não indica que o endividamento elevado produzirá necessariamente dificuldades financeiras para as empresas brasileiras. O risco depende da estrutura de cada balanço, do vencimento das obrigações, do custo contratado, da geração de caixa e da capacidade de refinanciamento.

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