Por Anderson Moreira, Head de Conteúdo da DEX e especialista de investimentos
A indústria de ETFs no Brasil completou 22 anos em 2026 e por muito tempo os ETFs disponíveis aos investidores foram somente do tipo Acumulação, ou seja, todo dinheiro recebido pelos ativos da cesta é automaticamente reinvestido na carteira. Com isso, o cotista deste tipo de ETF não recebe o dividendo na conta, mas acaba recebendo esse provento na forma de acúmulo de capital.
Só que desde 2023 a B3 passou a permitir ETFs de distribuição, e aqui temos um veículo que fará o pagamento de proventos aos seus investidores de forma periódica. O primeiro ETF de distribuição a ser negociado na B3 foi o NDIV11, ETF gerido pela Nu Asset e que replica o índice Smart Dividendos da B3, reunindo as empresas brasileiras que são boas pagadoras de dividendos.
No mesmo ano, em novembro, nasceu o primeiro ETF para exposição ao S&P 500 com pagamento de proventos mensais, ETF SPYI11 da Buena Vista.
Em 2025 nasceu o AREA11, o primeiro ETF de Renda Fixa com pagamento de proventos. Nesse caso, a estratégia concede exposição à títulos NTN-B e faz o pagamento periódico aos seus cotistas.
E assim sendo, no universo de 204 ETFs listados na B3, temos 17 deles que fazem distribuição de proventos aos cotistas, sendo 16 de Renda Variável e um de Renda Fixa. Aqui entra a importância de explicarmos como estes produtos funcionam. Basicamente, em se tratando de ETF de distribuição na B3, existem dois tipos de estratégia: as que distribuem aquilo que é recebido dos ativos que compõem a cesta e as que usam derivativos para pagamento de renda.
No gráfico abaixo temos a consolidação por AUM dos ETFs que fazem distribuição de proventos. O AUM total está em torno de R$1,44 bilhão, o que corresponde a pouco mais de 1% do AUM total da indústria.
Na primeira situação, tem-se que o provento pago vai apresentar uma volatilidade maior, isso porque o que será pago depende de quem pagou e do quanto pagou. É importante o investidor entender que essa flutuação no provento não significa que o ETF está perdendo fundamento, mas sim, é a pura dinâmica de como ele funciona. Isso vale para os ETFs como o BEST11, da Investo, NDIV11, da Nu Asset, DIVD11, da Itaú Asset, por exemplo.
No ETF de Renda Fixa, o pagamento funciona de acordo com o recebimento dos cupons das NTN-B da carteira, ou seja, mais um exemplo onde o resultado depende do que foi pago pelos ativos subjacentes.
Para os ETFs de distribuição é importante o investidor se atentar à tributação. Independente da forma como o provento é originado, todo ETF deste tipo conta uma retenção de 15% na fonte sobre os proventos anunciados. Por exemplo, se o ETF anuncia R$1 por cota, o investidor receberá R$0,85 por cota. Isso porque houve a retenção de 15% na fonte.
Já no caso dos dividendos sintéticos, o pagamento de proventos é oriundo não da cesta, mas sim, de operações com opções que geram um prêmio para o ETF e é justamente esse prêmio que é pago aos cotistas. Nos ETFs de dividendos sintéticos que estão disponíveis na B3 a estratégia usada é a venda de covered call e com isso, os prêmios recebidos nas vendas das opções é a base para o dividendo, que por sua vez, acaba tendo menor volatilidade entre os pagamentos. A estratégia de covered call permite que o investidor receba a renda passiva, mas é importante reforçar que num cenário de alta muito rápida do índice de referência do ETF, o investidor fica com um ganho limitado, ou seja, ele não consegue capturar toda a alta do ativo por conta do exercício das opções de compra que o ETF lançou.
Analisando os números de AUM vê-se que as estratégias focadas em covered call absorveram maior volume de captação e isso se deve a alguns motivos. O primeiro deles é que desde a liberação da B3 para que os ETFs de distribuição pudessem ser negociadas, houve majoritariamente lançamento de ETFs com estratégias de covered call, ou seja, quanto mais estratégias disponíveis, maior é a tendência de captação.
O segundo ponto que ajuda a explicar essa maior adoção se deve à possibilidade de recebimento de proventos com ativos que não são geradores de renda passiva, como é o caso do Bitcoin, Ethereum, ouro. O investidor acessa uma classe que não tem a característica de renda, mas num veículo com pagamento periódico, o que acaba atraindo bastante atenção, tendo em vista o fato do investidor brasileiro ter um certo interesse em pagamento de dividendos.
Já com relação aos ETFs que distribuem de acordo com o recebimento da carteira, tivemos menos lançamentos e além disso, um ponto que acaba sendo uma objeção é a tributação de 15% sobre os proventos. Quando o investidor recebe dividendos de uma ação, na maior parte dos casos esse recebimento será isento de imposto, diferentemente de um ETF de distribuição.
O importante é que o arcabouço para lançamento de novas estratégias com foco em distribuição já está devidamente montado e os investidores conseguem hoje escolher, para algumas classes, se querem seguir o caminho por ETF de acumulação ou por um ETF de distribuição. A escolha, no fim do dia, vai depender do objetivo do cliente. O que observamos por aqui é que a tributação dos proventos pagos por um ETF acaba sendo um ponto de objeção para a maioria dos investidores, considerando que ações distribuem dividendos isentos na grande maioria dos casos, assim como os fundos imobiliários. Mas o fato de ter o arcabouço liberado e cada vez mais conteúdo sobre, são coisas que acabam contribuindo para o lançamento de novas estratégias.








