Anos eleitorais costumam impor uma dose adicional de incerteza aos mercados. À medida que propostas econômicas, pesquisas e expectativas sobre o próximo governo entram no radar, Bolsa, câmbio e juros passam a incorporar mais rapidamente mudanças de percepção sobre política fiscal, inflação e trajetória da economia. O resultado tende a ser uma volatilidade maior, que pode levar o investidor a um erro recorrente: transformar incerteza política em motivo para abandonar sua estratégia de longo prazo.
Para Homero Guizzo, economista da Terra Investimentos, o mercado reage menos ao calendário eleitoral em si e mais às consequências econômicas que os investidores atribuem aos diferentes cenários. “Historicamente, períodos eleitorais experimentam maior volatilidade porque coincidem com ajustes nas expectativas dos agentes econômicos para o futuro próximo.” Tentar antecipar cada movimento, porém, pode ser menos eficiente do que preparar a carteira para diferentes resultados, evitando apostas excessivamente dependentes de um candidato, setor ou cenário econômico.
É nesse ponto que a diversificação ganha relevância. A combinação de ativos de crescimento com instrumentos mais defensivos pode amortecer movimentos bruscos, enquanto a exposição internacional reduz a dependência dos riscos domésticos. Renda fixa, ouro, títulos do Tesouro americano, ativos de menor volatilidade e investimentos ligados a diferentes mercados e moedas podem cumprir funções distintas dentro da carteira.
ETFs, por reunirem vários ativos em um único instrumento, também permitem ampliar essa diversificação sem exigir que o investidor tente escolher antecipadamente quais empresas ou setores serão vencedores após as urnas.
Eleições, portanto, não deveriam ser motivo para afastar o investidor do mercado, mas para lembrá-lo da importância de não depender de um único cenário. Mais do que tentar prever pesquisas, resultados ou a reação dos preços, atravessar um período eleitoral exige uma carteira diversificada e um plano de investimento bem definido, coerente com objetivos, horizonte e tolerância ao risco.
Quando a estratégia está preparada para diferentes cenários, a volatilidade deixa de comandar as decisões. Em períodos de incerteza, não é quem tenta prever o mercado que está mais protegido, mas quem sabe exatamente por que, onde e por quanto tempo está investindo.









