A possível venda da Amil avançou nas últimas semanas, com Advent e Bain Capital negociando a aquisição de 100% da operadora de planos de saúde. O preço, porém, permanece como principal obstáculo para um acordo, segundo fontes ouvidas pelo Valor Econômico. A companhia está avaliada nas conversas em aproximadamente R$ 17 bilhões.
Os fundos já haviam procurado José Seripieri Filho, o Júnior, nos últimos meses para discutir a compra integral da empresa. Inicialmente, o empresário não demonstrou disposição para deixar o controle, o que levou ao esfriamento das tratativas.
As negociações foram retomadas neste ano, desta vez com Advent e Bain atuando em conjunto. A proposta apresentada pelas gestoras atribuiu à Amil valor de aproximadamente R$ 17 bilhões. O montante teria despertado o interesse de Júnior, que chegou a discutir a possibilidade de permanecer na companhia como acionista minoritário.
Esse desenho, entretanto, não interessa aos potenciais compradores. Segundo duas fontes ligadas aos fundos, Advent e Bain pretendem adquirir 100% da Amil e não consideram manter o atual controlador como sócio após a conclusão da operação.
O preço passou, então, a ocupar o centro das discussões. Além do valuation da operadora, as partes negociam elementos como capital de giro e a estrutura financeira da transação, fatores que podem alterar o valor final do negócio.
A avaliação atual também representa uma mudança significativa em relação à operação realizada há cerca de dois anos e meio. Quando Júnior adquiriu a Amil da americana UnitedHealthGroup (UHG), a empresa foi avaliada em R$ 11 bilhões, sendo aproximadamente R$ 9 bilhões relacionados a contingências. A UHG decidiu deixar o mercado brasileiro após considerar o ativo deficitário.
Desde então, a situação da companhia teria mudado. Pessoas próximas às negociações afirmam que Júnior conseguiu solucionar parte dos impasses regulatórios e reduzir contingências, movimento que ajudaria a justificar uma avaliação superior da Amil na negociação atual.
A Bain já havia demonstrado interesse pela companhia anteriormente. No início de 2025, a gestora procurou o empresário para discutir uma operação que lhe daria o controle da empresa, mas as conversas não avançaram. Agora, a associação com a Advent reforçou a tentativa de aquisição integral.
As duas gestoras possuem experiência no mercado brasileiro de saúde. A Advent já foi acionista do Fleury e, mais recentemente, tornou-se acionista relevante da Natura. A Bain, por sua vez, controlou a NotreDame Intermédica antes da combinação da operadora com a Hapvida.










