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Vale mira novo projeto em Carajás e cobra mudanças regulatórias

Projeto da Vale no bloco C de Serra Sul pode adicionar de 40 milhões a 50 milhões de toneladas anuais; mineradora ainda não definiu investimentos necessários

A Vale (VALE3) avalia uma nova expansão de grande porte em Carajás, no Pará, capaz de adicionar entre 40 milhões e 50 milhões de toneladas de minério de ferro por ano à sua capacidade de produção. O projeto está relacionado ao desenvolvimento do chamado bloco C de Serra Sul, segundo o CEO da mineradora, Gustavo Pimenta.

A companhia ainda não definiu o investimento necessário para desenvolver a área, mas considera o ativo uma das principais oportunidades para ampliar sua produção de minério de ferro no país. Serra Sul abriga atualmente o S11D e também possui os corpos minerários A, B e C.

“Avançar naquele corpo minerário que tem muito potencial poderia gerar um grande projeto de mineração”, afirmou Pimenta durante a Exposibram, nesta terça-feira (25). Segundo o executivo, o bloco C poderia representar entre 40 milhões e 50 milhões de toneladas adicionais de capacidade anual.

A concretização do projeto, porém, depende também do ambiente regulatório. A Vale defende a atualização das regras relacionadas à proteção de cavidades naturais subterrâneas, tema que influencia o licenciamento de grandes empreendimentos minerais.

Pimenta avalia que um decreto em preparação pelo governo poderia reduzir margens de interpretação das normas e dar maior previsibilidade aos processos. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou na segunda-feira (24) que o texto está na Casa Civil para análise de questões jurídicas e técnicas, depois de entendimento entre os ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente.

A eventual expansão em Carajás teria relevância para a estratégia de crescimento da Vale por adicionar capacidade em uma região que concentra minério de alto teor e operações importantes da companhia. O projeto, entretanto, ainda está em fase de avaliação e não possui capex definido.

Além do minério de ferro, a mineradora mantém estudos sobre outras matérias-primas. Pimenta confirmou que terras raras e lítio estão entre os minerais analisados, mas ressaltou que nenhuma decisão de investimento foi tomada.

Atualmente, a estratégia da Vale permanece concentrada em minério de ferro, cobre e níquel. Segundo o executivo, uma eventual entrada em outras commodities dependerá da existência de vantagem competitiva e seguirá os critérios de disciplina na alocação de capital da companhia.

A Vale também avalia oportunidades para diversificar sua infraestrutura de escoamento. Questionado sobre uma eventual participação no Porto Sudeste, Pimenta afirmou que alternativas logísticas podem gerar valor e ampliar as opções disponíveis para a mineradora, sem confirmar uma operação.

No campo operacional, a companhia prepara medidas para enfrentar possíveis chuvas mais intensas no Sudeste diante das projeções meteorológicas relacionadas ao El Niño. Nas operações da região Norte, onde está Carajás, a principal preocupação apontada pelo executivo são os riscos de incêndios.

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