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XP vê três motivos para investidor dolarizar a carteira agora

Corretora vê renda fixa americana em patamar historicamente atrativo e recomenda exposição ao dólar como diversificação

A combinação de juros elevados nos Estados Unidos e riscos domésticos tornou mais favorável a diversificação de parte do patrimônio em dólar, segundo avaliação da XP. A corretora destaca três argumentos para a estratégia em 2026: os rendimentos dos Treasuries, as taxas oferecidas pelos bonds e a proteção proporcionada por ativos internacionais em momentos de estresse no mercado brasileiro.

Isso não significa, porém, que a XP considere o dólar barato. Com a moeda próxima de R$ 5,20, a recomendação é realizar aportes graduais, evitando concentrar toda a entrada em uma única cotação. A estratégia permite diluir o preço médio e reduzir o risco de comprar justamente em um período de valorização mais acentuada da moeda americana.

O principal atrativo está na renda fixa. O Treasury de dez anos oferece rendimento próximo de 4,7% ao ano, enquanto o papel de dois anos paga cerca de 4,24% e o de 30 anos chega a aproximadamente 5,25%. São níveis elevados em perspectiva histórica e bastante diferentes do ambiente observado entre 2012 e 2021, quando os juros americanos permaneceram baixos durante boa parte do período.

A XP calcula que, para eliminar em 12 meses o retorno positivo proporcionado atualmente pelo Treasury de dez anos, a taxa do título precisaria subir aproximadamente 0,6 ponto percentual. Isso ocorre porque uma elevação dos juros de mercado reduz o preço dos títulos já emitidos, mas o cupom elevado oferece uma margem para absorver parte dessa desvalorização.

O crédito privado em dólar também oferece taxas consideradas atrativas. Bonds de grandes companhias americanas com grau de investimento rendem aproximadamente 5,5% a 6% ao ano, enquanto títulos em dólar de emissores brasileiros classificados como high grade oferecem entre 6% e 6,5%. A preferência da XP é por empresas de grande porte, boa qualidade de crédito e, quando possível, receitas também denominadas em dólar.

Além do retorno, os cupons normalmente pagos a cada seis meses criam uma fonte recorrente de renda em moeda forte. Essa característica pode ser especialmente útil para quem possui gastos no exterior, viaja com frequência ou mantém compromissos denominados em dólar, permitindo aproximar a moeda das receitas daquela utilizada nas despesas.

O terceiro argumento é a diversificação do risco Brasil. Em períodos de deterioração fiscal, política ou econômica, o real e os ativos domésticos podem perder valor simultaneamente. Uma parcela do patrimônio em dólar tende a responder de maneira diferente, reduzindo a dependência da carteira em relação aos juros e aos acontecimentos locais.

A XP ressalta, contudo, que dolarizar não significa necessariamente superar o CDI. Se o real se valorizar, o retorno convertido para reais pode ficar abaixo daquele oferecido pela renda fixa brasileira, especialmente enquanto a Selic permanecer elevada. A proposta é estrutural: diminuir a concentração geográfica e cambial do patrimônio e preservar parte do poder de compra no longo prazo.

Para construir essa exposição, a corretora cita fundos de investimento, Treasuries, Global Bonds brasileiros, bonds corporativos e ETFs de renda fixa, que permitem acessar uma cesta de títulos em dólar por meio de um único ativo. A escolha depende do risco, prazo e necessidade de liquidez de cada investidor.

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