O Ibovespa ultrapassou a marca de 200 mil pontos pela primeira vez nesta segunda-feira (5), em uma sessão de forte valorização dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições presidenciais. O principal índice da B3 chegou a subir quase 8% e superou 207 mil pontos durante o pregão, renovando seu recorde intradiário.
A reação ocorre depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma diferença de 2.224.965 votos. Os dois candidatos avançaram para o segundo turno.
O resultado levou a uma rápida reprecificação dos ativos domésticos. Parte dos investidores passou a incorporar aos preços a possibilidade de mudança na condução da política econômica após a eleição. Essa percepção ajuda a explicar o movimento desta segunda-feira, mas não representa uma antecipação do resultado do segundo turno nem garante mudanças futuras na política fiscal.
A nova composição do Congresso também entrou no radar dos agentes financeiros. O PL elegeu 19 senadores e terá uma bancada de 28 representantes no Senado. A leitura inicial de parte do mercado é de que a composição poderá influenciar a tramitação de medidas econômicas e fiscais na próxima legislatura, embora a aprovação de reformas dependa da formação de maiorias e da articulação entre diferentes partidos.
Os bancos figuravam entre os principais destaques positivos da sessão. As ações ordinárias do Banco do Brasil avançavam 12,82%, enquanto os papéis preferenciais do Bradesco subiam 10,87%. As units do BTG Pactual registravam valorização de 14,24% e chegaram a entrar em leilão diante da forte oscilação.
Petrobras também contribuía para a alta do índice. As ações ordinárias da estatal avançavam 5,62%, enquanto as preferenciais ganhavam 6,47%. Vale ON, outro papel de peso relevante na composição do Ibovespa, subia 2,08%.
Os movimentos mais intensos, porém, apareciam entre empresas mais sensíveis às expectativas para juros e atividade econômica. Magazine Luiza liderava as altas com valorização de 22,21%, enquanto as ações da própria B3 avançavam 21,95%.
A disparada da Bolsa ocorre simultaneamente à forte valorização do real. O dólar chegou a cair mais de 4% nesta segunda-feira e rompeu a barreira de R$ 5, reforçando o movimento de redução dos prêmios de risco observado nos mercados locais.
A sessão amplia uma valorização que já vinha ocorrendo antes das eleições. Na sexta-feira (2), último pregão antes da votação, o Ibovespa havia encerrado aos 192.114 pontos, com alta de 2,63%. A passagem para mais de 207 mil pontos representa um avanço superior a 15 mil pontos em relação ao fechamento anterior.
Apesar da reação expressiva, o mercado deve permanecer sensível às próximas etapas da disputa eleitoral. Pesquisas, propostas econômicas, sinalizações sobre política fiscal e fatores externos podem provocar novas oscilações até a definição do segundo turno.









