Destaque
DestaqueMercadosNotícias

Ativos brasileiros disparam em Nova York após resultado das eleições

Resultado do primeiro turno provoca forte reação dos ativos brasileiros no exterior; Flávio teve 47,03% dos votos e Lula, 45,16%

Os ativos brasileiros começaram a segunda-feira (5) em forte alta no exterior, na primeira reação dos mercados ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial. No pré-mercado de Nova York, o movimento atingiu ETFs e ações de empresas brasileiras, antecipando uma abertura de elevada volatilidade na B3.

A reação ocorre depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença foi de 1,87 ponto percentual, e os dois candidatos disputarão o segundo turno em 25 de outubro.

O EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos, chegou a avançar cerca de 12% na pré-abertura. O fundo acompanha o MSCI Brazil e é uma das principais referências utilizadas no exterior para exposição ao mercado acionário brasileiro.

A valorização também se espalhou pelas empresas brasileiras negociadas em Nova York. XP avançava cerca de 15%, enquanto Nubank subia aproximadamente 10%. Itaú registrava ganho superior a 12%, Bradesco avançava cerca de 11% e Petrobras tinha valorização próxima de 10%. Vale e Embraer também operavam em alta.

A reação reflete a leitura inicial de parte dos investidores sobre o resultado eleitoral, que contrariou pesquisas divulgadas na reta final da campanha ao colocar Flávio à frente de Lula. Analistas ouvidos pela Reuters relacionaram a valorização à expectativa do mercado em torno de uma eventual agenda de maior disciplina fiscal e reformas econômicas. Essa interpretação representa a percepção dos agentes financeiros e não antecipa o resultado do segundo turno.

O J.P. Morgan também avaliou o resultado como uma surpresa em relação ao cenário esperado antes da votação. Em relatório, o banco chamou atenção para a diferença de aproximadamente dois pontos percentuais entre os dois candidatos e para os votos destinados às demais candidaturas, que agora passam a integrar as análises sobre o segundo turno. A transferência desses votos, porém, não é automática e dependerá da decisão individual dos eleitores em 25 de outubro.

Para o mercado acionário, o J.P. Morgan trabalha com a possibilidade de expansão entre 20% e 25% do múltiplo preço/lucro do MSCI Brasil, considerando os resultados projetados para os próximos 12 meses. Segundo a análise do banco, aproximadamente metade desse movimento poderia ocorrer no curto prazo.

Atualmente, de acordo com os cálculos apresentados pela instituição, o MSCI Brasil negocia próximo de 8,8 vezes os lucros projetados. Em um cenário de reprecificação dos ativos, o múltiplo poderia se aproximar de 11 vezes. A estimativa representa um cenário traçado pelo banco e não significa que esse nível será necessariamente alcançado.

Uma eventual segunda etapa dessa valorização dependeria, na avaliação do J.P. Morgan, de maior clareza sobre a política macroeconômica após a eleição, incluindo medidas fiscais e a composição da equipe econômica, além das condições dos mercados internacionais.

A reação desta segunda-feira ocorre depois de um período de valorização da Bolsa brasileira. O Ibovespa encerrou a sexta-feira (2), último pregão antes da votação, aos 192.114 pontos, com alta de 2,63% no dia e avanço superior a 19% acumulado em 2026.

O comportamento dos ativos no exterior sinaliza a reação inicial dos investidores ao primeiro turno, mas não determina o desempenho das próximas sessões. Até o segundo turno, pesquisas eleitorais, declarações dos candidatos, propostas econômicas e fatores externos podem continuar provocando oscilações relevantes nos preços dos ativos brasileiros.

Postagens relacionadas

1 of 726