A forte desvalorização das ações da XP Inc. após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu uma oportunidade de investimento, na avaliação do Itaú BBA. O banco manteve a recomendação outperform, equivalente à compra, para os papéis negociados na Nasdaq, apesar de reduzir sua estimativa de preço justo diante da perspectiva de juros mais elevados e enfraquecimento do real.
As ações da XP recuaram 48,5% na segunda-feira (26), encerrando o pregão a US$ 15,70. Nesta terça-feira (27), os papéis apresentavam recuperação parcial, com valorização próxima de 3%.
A equipe de análise liderada por Pedro Leduc estabeleceu preço justo de US$ 22 para o fim de 2027, ante a projeção anterior de US$ 27. Em relação ao fechamento de segunda-feira, o novo valor representa um potencial de valorização de aproximadamente 40%.
A revisão considera o aumento do custo de capital e a expectativa de um câmbio menos favorável. Mesmo assim, os analistas avaliam que a XP apresenta características capazes de sustentar seus resultados em um ambiente econômico mais desafiador.
Segundo o relatório, a companhia negocia atualmente a cerca de sete vezes o lucro projetado para 2027, próximo ao limite inferior de sua faixa histórica de avaliação. Esse desconto, combinado à expectativa de maior resistência dos resultados, sustenta a manutenção da recomendação positiva.
O Itaú BBA também considera importante preservar exposição a empresas que possam se beneficiar de uma eventual redução do prêmio de risco exigido pelos investidores, caso as condições do mercado financeiro melhorem.
Para 2027, o banco projeta lucro de R$ 5,9 bilhões para a XP, com crescimento estimado de 6%. A expectativa é sustentada pela composição dos investimentos dos clientes e pela capacidade da plataforma de manter receitas mesmo em períodos de maior volatilidade.
Atualmente, aproximadamente 25% dos ativos sob gestão dos clientes estão aplicados em ações, enquanto a renda fixa representa 35% e os planos de previdência respondem por 10%. Os fundos de investimento correspondem a cerca de 25% do total.
Nos últimos trimestres, os investidores da plataforma reduziram os prazos de seus investimentos em renda fixa e diminuíram a exposição ao risco nos fundos. Segundo os analistas, essas mudanças podem limitar perdas decorrentes da marcação a mercado, mecanismo que atualiza o valor dos ativos conforme as condições de negociação.
A instituição também destaca o perfil dos clientes da XP, predominantemente poupadores, como um fator de proteção em um cenário de inflação e juros elevados.
Como grande parte dos instrumentos de dívida brasileiros oferece remuneração vinculada ao CDI, a manutenção de taxas altas pode contribuir para preservar ou ampliar o patrimônio aplicado em determinados produtos financeiros.
Em relação à rentabilidade da plataforma, o Itaú BBA reconhece que o volume de negócios poderá diminuir em um ambiente de menor disposição dos investidores para assumir riscos. Entretanto, a estrutura de distribuição baseada em assessores financeiros independentes contribui para manter os custos operacionais relativamente baixos.
Os analistas também identificam espaço para ganhos de eficiência nas despesas gerais e administrativas, o que poderia ajudar a compensar uma eventual redução das receitas.
Outro diferencial apontado é a baixa exposição da XP ao risco de crédito em comparação com outras instituições financeiras. Como a companhia opera um modelo de negócios menos intensivo em capital, o banco considera mais provável uma distribuição elevada de dividendos aos acionistas.
O relatório menciona um rendimento esperado de 10% em 2027 como fator adicional de proteção para os investidores.
Apesar da avaliação favorável, o Itaú BBA ressalta que o ambiente de mercado permanece instável. Para os analistas, porém, a forte queda recente das ações fez com que os preços passassem a incorporar expectativas bastante negativas para os resultados futuros da companhia.
A manutenção da recomendação de compra reflete, portanto, a avaliação de que o desconto atual dos papéis pode compensar parte dos riscos associados ao novo cenário econômico brasileiro.










