Os cotistas do fundo imobiliário HSI Logística (HSLG11) poderão receber rendimentos menores a partir de outubro de 2026. A gestora revisou a projeção de distribuição mensal de R$ 0,74 a R$ 0,76 para uma faixa entre R$ 0,60 e R$ 0,65 por cota, em razão das incertezas envolvendo os contratos de locação com a Casas Bahia (BHIA3), que enfrenta um processo de recuperação judicial.
A decisão foi comunicada ao mercado na quinta-feira (29), mesmo após a varejista regularizar pagamentos de aluguéis que estavam atrasados. Segundo a HSI, a revisão tem caráter conservador e busca preservar a liquidez do fundo diante do risco de novos episódios de inadimplência e das disputas judiciais em andamento.
O pagamento mais recente ocorreu em 28 de outubro, quando a Casas Bahia quitou o aluguel de setembro do galpão localizado em São José dos Pinhais, no Paraná. O valor principal foi de R$ 1,43 milhão, acrescido de aproximadamente R$ 143 mil em multa, totalizando R$ 1,57 milhão.
Duas semanas antes, a companhia já havia regularizado o aluguel referente ao imóvel de Contagem, em Minas Gerais. Na ocasião, desembolsou R$ 2,93 milhões, incluindo encargos pelo atraso. Apesar da quitação das duas parcelas, as ações de despejo ajuizadas pelo fundo em 8 de outubro continuam em tramitação.
A gestora sustenta que os pagamentos foram realizados depois do início dos processos judiciais e, por isso, não caracterizam a regularização da inadimplência nos termos exigidos pela legislação. A continuidade das ações não significa, entretanto, que a desocupação dos imóveis já tenha sido determinada pela Justiça.
A exposição à Casas Bahia representa um dos principais riscos da carteira do HSLG11. A varejista responde por aproximadamente 30,7% da receita contratada de aluguéis, sendo 27,4% provenientes de locações diretas e 3,3% de áreas sublocadas. Essa concentração torna os resultados do fundo especialmente sensíveis à capacidade de pagamento da empresa.
O impacto sobre os rendimentos já vinha sendo administrado com recursos acumulados em períodos anteriores. Em setembro, o fundo distribuiu R$ 0,75 por cota, embora o resultado do mês tenha sido de R$ 0,54. A diferença de R$ 0,21 foi coberta com reservas, que encerraram o período em R$ 0,74 por cota.
A recuperação judicial da Casas Bahia, solicitada em agosto, acrescentou incertezas à continuidade dos contratos. Embora os aluguéis constituídos após o pedido tenham, em regra, natureza extraconcursal, essa condição não impede atrasos e a necessidade de cobrança judicial.
A revisão da projeção não representa uma garantia de pagamento dentro da nova faixa. Os valores efetivamente distribuídos dependerão das receitas recebidas, das despesas do fundo e das decisões da administração nos próximos meses.
O episódio também evidencia um risco relevante dos fundos imobiliários de imóveis físicos: a dependência de grandes locatários. Mesmo quando os contratos permanecem vigentes e os imóveis continuam ocupados, dificuldades financeiras de um inquilino podem comprometer o fluxo de caixa e reduzir os rendimentos destinados aos investidores.










