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Chilli Beans pede recuperação extrajudicial com dívida de R$ 340 milhões

Rede Chilli Beans busca renegociar dívida de R$ 340 milhões. Plano envolve Itaú, Akron e Vega e não inclui obrigações com funcionários e fornecedores

A Chilli Beans protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 340 milhões em dívidas financeiras. A medida foi apresentada na sexta-feira (30) e prevê a renegociação das obrigações com bancos, além da entrada de até R$ 50 milhões em novos recursos para fortalecer o caixa da rede de óculos e acessórios.

O plano foi estruturado com a participação do Itaú, da Akron Capital e da Vega Asset, que atuam como financiadores âncoras e coordenam a injeção de capital. A proposta busca adequar os compromissos financeiros à capacidade de pagamento da companhia, preservando recursos para a continuidade das operações.

A renegociação está restrita às dívidas financeiras. Segundo a empresa, obrigações com funcionários, fornecedores e outros parceiros comerciais não estão incluídas no processo. A companhia também não divulgou os prazos de pagamento, eventuais descontos ou demais condições previstas para a reestruturação do passivo.

A recuperação extrajudicial permite que uma empresa negocie diretamente com seus credores e submeta o acordo à homologação da Justiça. O mecanismo é diferente da recuperação judicial, pois concentra a negociação em determinados grupos de credores e não exige, necessariamente, a inclusão de todas as obrigações da companhia.

O fundador e presidente-executivo da Chilli Beans, Caito Maia, atribuiu as dificuldades financeiras ao ambiente enfrentado pelo varejo brasileiro. Em entrevista à Exame, o empresário apontou o aumento dos juros e a inadimplência de parte dos franqueados como fatores que pressionaram o caixa da companhia.

Segundo Maia, a inadimplência na rede chegou a aproximadamente 22% no período posterior à pandemia, ante um patamar histórico próximo de 3%. Atualmente, o indicador estaria em torno de 4%, após medidas adotadas para reorganizar as operações.

A empresa também enfrenta uma perspectiva de redução no faturamento. A receita passou de R$ 890 milhões em 2023 para R$ 1 bilhão em 2025, mas a projeção para 2026 é de R$ 940 milhões, o que representa uma queda de 6% em relação ao ano anterior.

Apesar das dificuldades, a Chilli Beans mantém suas atividades e os planos de expansão. A rede possui aproximadamente 900 franquias no Brasil e está presente em mais de 14 países. Somente em outubro, inaugurou nove pontos de venda no mercado brasileiro e outros quatro na América do Sul.

Para Felipe Casotti, sócio da Akron Capital, a renegociação permitirá ajustar a estrutura de capital da empresa às condições atuais do negócio. A expectativa dos credores envolvidos é que a reorganização financeira contribua para preservar as operações e criar condições para uma retomada sustentável do crescimento.

A companhia, fundada em 1997, completará 30 anos em 2027. A recuperação extrajudicial ocorre em um momento de revisão de sua estrutura financeira, com prioridade para a redução das pressões sobre o caixa e a manutenção da rede de franquias.

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