A temporada de balanços do quarto trimestre de 2025 deve confirmar um cenário de crescimento moderado para os grandes bancos privados de capital aberto, sustentado por volumes de crédito ainda firmes, embora em desaceleração, e por um avanço contido das provisões. A principal exceção tende a ser o Banco do Brasil, que continua impactado pela inadimplência no agronegócio e deve apresentar desempenho significativamente inferior ao dos pares.
Além dos números do trimestre, a atenção do mercado se concentra nas projeções que as instituições divulgarão para 2026. A expectativa de início de um ciclo de queda da Selic, somada ao ambiente macroeconômico e ao calendário eleitoral, torna os guidances um dos principais pontos de avaliação por parte dos investidores. A temporada começa na quarta-feira, com a divulgação dos resultados de Santander Brasil e Itaú Unibanco.
De acordo com a média das estimativas de oito instituições financeiras, Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil devem registrar, em conjunto, lucro de R$ 26,7 bilhões no quarto trimestre. O montante representaria crescimento de 3,2% em relação ao terceiro trimestre, mas queda de 9,5% na comparação anual, movimento puxado sobretudo pelo desempenho mais fraco do BB. Ainda assim, a leitura predominante entre analistas é de que o contexto permanece positivo para o sistema bancário, com inadimplência sob controle, expansão das receitas de tarifas e apoio da sazonalidade.
Para Bernardo Guttmann, chefe de análise do setor financeiro da XP, o trimestre tende a ser previsível, refletindo resiliência operacional com diferenças relevantes entre as instituições. Segundo ele, o mercado de trabalho relativamente sólido segue ajudando a conter uma deterioração mais acentuada da inadimplência no varejo, apesar da pressão exercida pelos juros elevados. Analistas do Bank of America e do Itaú BBA também avaliam que, embora as tendências do trimestre sejam mistas, a visão para 2026 é construtiva, com potencial de crescimento de lucros em dois dígitos apoiado por juros menores e ambiente de crédito mais benigno.
No caso do Itaú, a expectativa é de novo lucro recorde, estimado em R$ 12,2 bilhões, com alta anual de 14%. Projeções indicam receitas de tarifas fortes, despesas controladas e aumento do retorno sobre o patrimônio, mantendo a instituição como a mais rentável entre os grandes bancos tradicionais. O Bradesco, por sua vez, deve seguir em trajetória de recuperação, com lucro estimado em R$ 6,4 bilhões, embora investidores ainda debatam o ritmo dessa melhora diante de custos de risco ligeiramente mais elevados.
Na outra ponta, o Banco do Brasil deve apresentar queda anual expressiva no lucro, estimado em R$ 4,0 bilhões. Analistas apontam que, apesar das medidas de renegociação no agronegócio, as carteiras corporate e agro continuam pressionando a qualidade dos ativos, o que limita a capacidade de geração de resultados no curto prazo. A expectativa é de uma recuperação gradual, com maior visibilidade apenas a partir de 2026, à medida que safras mais recentes comecem a vencer.
O Santander deve registrar lucro de cerca de R$ 4,1 bilhões, com crescimento moderado e postura mais seletiva na concessão de crédito. Projeções indicam margens estáveis com clientes, impacto negativo da tesouraria no resultado financeiro e custo de risco relativamente controlado, apesar de leve aumento da inadimplência.
Fora do grupo dos quatro grandes, o Nubank deve apresentar lucro de US$ 901,5 milhões, com crescimento anual próximo de 48%. O desempenho reforça a trajetória de expansão da fintech, que segue destacando que a futura obtenção de licença bancária no Brasil não altera sua estrutura de capital ou estratégia operacional.









