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Tesouro recompra R$ 27 bi em títulos e juros futuros recuam até 36 pontos após intervenção

Após as recompras o DI para janeiro de 2028 caiu quase 30 pontos para 13,57% e o DI para janeiro de 2035 recuou 36 pontos

O Tesouro Nacional realizou nesta segunda-feira (16) uma intervenção extraordinária no mercado de títulos públicos, recomprando R$ 12 bilhões em papéis prefixados e R$ 15,4 bilhões em títulos indexados à inflação, totalizando R$ 27,4 bilhões em operações.

A ação buscou conter a disparada das taxas de juros futuros observada nos últimos dias, quando a escalada da guerra no Oriente Médio e a alta do petróleo levaram investidores a precificar um ciclo de redução da Selic mais lento do que o anteriormente esperado, com risco de repique inflacionário no Brasil.

Em comunicado divulgado pela manhã, o Tesouro afirmou que o objetivo da operação era oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos.

Além das recompras, o órgão anunciou o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos indexados a índices de preços e de prefixados previstos para terça-feira (17) e quarta-feira (18), medida que reforça o sinal de que a prioridade do momento é estabilizar as condições financeiras e não aumentar o estoque de dívida pública num ambiente de taxas elevadas.

A intervenção foi realizada em dois leilões. No primeiro, realizado pela manhã, o Tesouro recomprou R$ 12 bilhões em títulos prefixados com vencimentos entre 2028 e 2032, de um volume máximo anunciado de até 25 milhões de títulos. No segundo leilão, realizado à tarde, foram recomprados R$ 15,4 bilhões em títulos indexados à inflação, de um máximo de até 10 milhões de títulos.

Em ambos os casos, o Tesouro adquiriu volume inferior ao teto anunciado, postura que preserva flexibilidade para novas intervenções caso necessário.

O efeito sobre a curva de juros foi imediato e expressivo. Após as operações, a taxa do DI para janeiro de 2028, um dos contratos mais líquidos do mercado, estava em 13,57% no fim da tarde, queda de quase 30 pontos-base ante o ajuste de 13,85% da sessão anterior.

Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 recuava 36 pontos-base para 13,8%, ante 14,155% no fechamento anterior, revertendo parte relevante da abertura registrada na semana passada.

Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, avaliou que a principal sinalização da ação do Tesouro é de que o órgão está alerta ao que está ocorrendo no mercado e que o leilão extraordinário de compra trouxe alívio concreto para a curva de juros. Diversos bancos e corretoras haviam revisado para baixo suas expectativas de corte de juros pelo Copom na reunião desta semana antes da intervenção, e a operação contribuiu para estabilizar parte do pessimismo que havia se instalado no mercado de renda fixa.

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