Depois de quase dois anos sem mexer nos juros para baixo, o Banco Central deu o primeiro passo do novo ciclo de afrouxamento monetário. O Copom reduziu nesta quarta-feira (18) a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano, corte de 0,25 ponto percentual aprovado por sete dos nove membros do colegiado. Os outros dois assentos estão vagos desde o fim de dezembro, quando expiraram os mandatos dos diretores Diogo Guillen e Renato Gomes, sem que o governo tenha indicado substitutos até o momento.
A decisão marca o início do ciclo de cortes sob a presidência de Gabriel Galípolo, que assumiu o comando do Banco Central no início do ano. O comitê cumpriu o roteiro traçado na reunião de janeiro, quando sinalizou a intenção de começar a flexibilizar os juros em março, mas ajustou o tamanho do passo diante da turbulência no cenário internacional. O consenso entre os analistas antes da escalada do conflito no Oriente Médio apontava para corte de 0,50 ponto percentual. Com o barril de petróleo próximo de US$ 105 na véspera da reunião, a maioria do mercado convergiu para a expectativa de movimento mais cauteloso de 0,25 ponto, que acabou prevalecendo.
O último corte da Selic havia sido em maio de 2024, ainda na gestão de Roberto Campos Neto. O alívio daquela época durou pouco: em seguida, o BC inverteu o rumo e conduziu um ciclo de alta que levou a taxa básica a 15% ao ano em junho de 2025, patamar mais elevado desde julho de 2006. A Selic ficou estacionada nesse nível por meses, cumprindo o papel de trazer a inflação de volta à trajetória da meta. O IPCA acumulado em 12 meses até fevereiro chegou a 3,81%, dentro do intervalo de tolerância de 1,5% a 4,5% em torno do alvo central de 3%.
O ambiente externo seguiu como principal fonte de incerteza. No mesmo dia, o Federal Reserve manteve os juros americanos na faixa entre 3,5% e 3,75% pela segunda reunião consecutiva, sinalizando cautela diante dos riscos inflacionários trazidos pelo choque do petróleo. O governo Lula tentou amenizar os efeitos da guerra sobre os preços domésticos com a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel até o fim do ano, ao custo de R$ 20 bilhões, e com a criação de subsídio de até R$ 10 bilhões para bancar parte do preço do combustível. Os efeitos dessas medidas sobre a inflação no médio prazo ainda são incertos.
As expectativas coletadas pelo Focus indicam IPCA de 3,8% em 2027 e 3,5% em 2028, projeções que o Copom usa como referência por trabalhar com os efeitos defasados da política de juros sobre a atividade. O próximo encontro do colegiado está marcado para os dias 28 e 29 de abril.









