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Grupo Mateus enfrenta queda nas vendas, endividamento do Nordeste e integração complexa no 4T25

A rede é mais exposta que Assaí e Atacadão à demanda das classes de menor renda no Nordeste onde o endividamento das famílias freou o consumo

O Grupo Mateus acumula uma série de adversidades que vão além do cenário macroeconômico desfavorável. A rede, que até pouco tempo era celebrada como uma das maiores surpresas positivas do varejo alimentar brasileiro, viu sua ação derreter na bolsa durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre de 2025, enquanto o alto comando reconhecia publicamente os desafios que comprometeram o desempenho recente.

Dois vetores distintos explicam o momento difícil. O primeiro é externo: a empresa é mais vulnerável que concorrentes como Assaí e Atacadão às oscilações de consumo das classes de menor renda, porque a maior parte de suas vendas está concentrada no Nordeste, região onde o avanço do endividamento das famílias freou a demanda de forma mais intensa. Esse efeito, que já pesou em 2025, continua presente em 2026. O segundo é interno e mais complexo: a integração da rede Novo Atacarejo, cuja compra foi concluída em julho do ano passado, está sendo mais difícil do que o previsto e se tornou o principal calcanhar de aquiles do resultado do quarto trimestre.

O problema com a integração é duplo. O Novo Atacarejo agrega custos ao grupo, mas as lojas mais antigas da rede adquirida, que deveriam diluir essas despesas com o volume de vendas, estão performando mal. O resultado prático aparece nos números: as despesas operacionais do Mateus totalizaram R$ 1,7 bilhão de outubro a dezembro, crescimento de 34,2%, com o Novo Atacarejo respondendo sozinho por aproximadamente R$ 237 milhões desse aumento. A margem Ebitda do grupo sem o ativo adquirido ficou em 6%, mas com ele cai para 5,8%, já que a rede integrada opera com margem de apenas 5,3%.

O indicador de vendas nas mesmas lojas, termômetro da saúde orgânica do negócio, ficou negativo em 1,1% no período, com queda de 5,5% nas unidades Mix Mateus e de 5,4% nas lojas do Novo Atacarejo e no varejo tradicional. A expansão via aquisição empurrou o grupo de 238 para 302 lojas e a receita líquida de R$ 7,7 bilhões para R$ 10,5 bilhões no trimestre, mas o volume não está se convertendo em resultado. A empresa anunciou um plano de eficiência para elevar as margens do Novo Atacarejo ao patamar do restante do grupo e revisou o foco estratégico para 2026.

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