O Méliuz registrou prejuízo contábil de R$ 32,9 milhões no quarto trimestre de 2025, mas a origem do resultado negativo é específica e não operacional: um impairment de R$ 57,1 milhões decorrente da queda de mais de 23% no preço do bitcoin no período. Excluindo esse efeito, que é puramente contábil e não afeta o caixa da empresa, o lucro líquido ajustado foi de R$ 18,8 milhões, crescimento de 772% na comparação com o mesmo trimestre de 2024.
A estratégia de acumular bitcoin como reserva de valor foi adotada pela empresa em março de 2025, seguindo o modelo de outras chamadas Bitcoin Treasury Companies como a Strategy e a OranjeBTC. Ao final de 2025, o Méliuz detinha 604,7 unidades do ativo compradas a preço médio de US$ 103,3 mil, posição avaliada em cerca de R$ 291,8 milhões no fechamento do período. No quarto trimestre, com o bitcoin em queda, a empresa optou por direcionar R$ 16 milhões para a recompra de suas próprias ações em vez de ampliar a posição em BTC, decisão baseada na avaliação de que o papel estava subavaliado e que a recompra aumentaria indiretamente a exposição ao ativo por ação. O bitcoin yield registrado pela companhia em 2025 foi de 953%, com ganho líquido de 435,8 BTC ao longo do ano.
No campo operacional, os números contam uma história diferente. A receita líquida chegou a R$ 138,3 milhões no trimestre, alta de 32% na base anual, com o acumulado de 2025 somando R$ 460,2 milhões, crescimento de 26% sobre 2024. O Shopping Brasil, core business da companhia, foi o principal motor do desempenho, avançando 41% no ano e acelerando para 52% de crescimento no quarto trimestre especificamente. A vertical de serviços financeiros, por outro lado, recuou 32% no ano, impactada pela renegociação da parceria com o banco BV.
O Ebitda ajustado atingiu R$ 34,6 milhões no quarto trimestre, crescimento de 64% na base anual, chegando a R$ 92,9 milhões no acumulado de 2025, avanço de 72%. O Ebitda contábil, porém, ficou negativo em R$ 17,2 milhões no trimestre por conta do impairment do bitcoin. A base de usuários encerrou o período em 49,4 milhões, crescimento de 29% em relação ao ano anterior, com o GMV do Shopping Brasil em R$ 5,6 bilhões, alta de 15%.









