InflaçãoNotícias

Surpresa inflacionária altera expectativa para Selic e pressiona curva de juros, afirma analista

Pressão em alimentos e serviços impacta leitura da política monetária

A leitura mais recente da inflação reforça um cenário de maior cautela para a condução da política monetária no Brasil, com impacto direto sobre as expectativas de juros. A avaliação é de Sara Paixão, analista de macroeconomia da InvestSmart XP, ao analisar a composição do IPCA-15 de março.

Segundo a economista, o dado trouxe uma surpresa negativa relevante, não apenas pelo número cheio acima do esperado, mas principalmente pela qualidade da inflação. O avanço mais forte de grupos como alimentação e despesas pessoais indica que a pressão inflacionária segue disseminada, com impacto relevante no índice e pouca evidência de alívio consistente no curto prazo.

Sara Paixão destaca que o comportamento de itens como passagens aéreas, que voltaram a subir mesmo após uma base elevada, pode já refletir efeitos indiretos do cenário global, especialmente da alta de combustíveis associada às tensões no Oriente Médio. Esse tipo de movimento reforça a sensibilidade da inflação doméstica a choques externos, dificultando a convergência mais rápida para a meta.

A analista também chama atenção para a abertura do índice, que veio acima das projeções do mercado, e para a dinâmica dos núcleos, que seguem pressionados. Ainda que a difusão tenha permanecido estável, o conjunto dos dados aponta para uma inflação mais resiliente, sobretudo em componentes menos voláteis e mais relevantes para a política monetária.

Na avaliação de Sara Paixão, esse cenário já se reflete na precificação de mercado. A curva de juros segue em alta ao longo de todos os vencimentos, indicando uma revisão nas expectativas para a trajetória da Selic. O mercado, segundo ela, passa a considerar cortes mais graduais, com probabilidade de redução inferior a 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom.

Para a analista da InvestSmart XP, o dado reforça que o processo de desinflação continua irregular e sujeito a choques, o que tende a exigir uma postura mais cautelosa por parte do Banco Central na condução do ciclo de flexibilização.

Postagens relacionadas

1 of 613