O Safra elevou sua projeção para o Ibovespa ao fim de 2026 para 220 mil pontos, nível que representa potencial de valorização de 18,6% sobre os 185,4 mil pontos registrados no fechamento de quarta-feira (25). Para o banco, a volatilidade gerada pelo conflito no Oriente Médio não é um motivo para sair da bolsa, mas sim uma oportunidade de entrada. Os estrategistas Cauê Pinheiro, Carolina Carneiro, Yves Adam e Luana Nunes citaram a estratégia atribuída a Warren Buffett de comprar ao som dos canhões: em momentos de incerteza, empresas com fundamentos sólidos ficam descontadas, criando janelas de aquisição mais atrativas do que em períodos de calmaria.
O argumento de valuation sustenta a tese. O Ibovespa negocia a 9,5 vezes o lucro estimado para 2026, múltiplo 7,8% abaixo da média histórica de dez anos, que é de 10,3 vezes. Isso acontece mesmo após a valorização de 14% registrada pelo índice desde janeiro, o que na visão do Safra indica que o mercado ainda não precificou plenamente os fundamentos da bolsa brasileira. Um desses fundamentos é o desconto do Ibovespa em relação aos demais mercados emergentes, que coloca o Brasil numa posição favorável no movimento global de rotação de recursos de mercados desenvolvidos para países em desenvolvimento.
O ciclo de cortes de juros é o segundo pilar da tese. A equipe de macroeconomia do Safra projeta a Selic em 11,75% ao fim de 2026, e a análise histórica do banco sobre os últimos cinco ciclos de afrouxamento monetário no Brasil mostra que o múltiplo preço/lucro do Ibovespa subiu em média de 9,8 vezes no início dos cortes para 11,0 vezes ao final do ciclo, expansão de 1,2 vez que historicamente impulsiona a bolsa mesmo quando o ritmo de redução dos juros é mais lento.
Para contextualizar o impacto da guerra sobre os mercados, o Safra analisou seis conflitos que geraram choques no petróleo nos últimos 35 anos: Guerra do Golfo, Guerra do Iraque, Segunda Guerra do Líbano, Primeira Guerra Civil da Líbia, Guerra da Ucrânia e Guerra de Gaza. O padrão identificado é consistente: o petróleo reage de forma aguda no início do conflito, atinge o pico em cerca de dois meses e retorna ao patamar anterior em aproximadamente seis meses. Os ativos de risco se recuperam mais rápido ainda, frequentemente voltando aos níveis pré-conflito em cerca de 30 dias. O banco também destacou que o Ibovespa dolarizado historicamente mostrou sensibilidade limitada a esse tipo de choque.
Para o posicionamento nesse ambiente, o Safra recomenda uma carteira que combine três grupos: setores defensivos como Utilidades Básicas e Telecomunicações, que oferecem proteção em momentos de incerteza; ações de maior liquidez que capturam o fluxo internacional, como Bancos, Óleo e Gás e Siderurgia e Mineração; e empresas sensíveis ao ciclo de juros, como Construção Civil, Shoppings e Transportes, que tendem a se valorizar à medida que a Selic recua.
No Ibovespa, a Safra tem recomendação para as ações:
| Código | Empresa | Setor | Preço-alvo no fim de 2026 |
| DIRR3 | Direcional | Construção Civil | R$ 22,00 |
| PETR4 | Petrobras | Óleo e Gás | R$ 43 |
| BBDC4 | Bradesco | Bancos | R$ 24 |
| ITSA4 | Itaúsa | Bancos | R$ 25 |
| ALOS3 | Allos | Shopping | R$ 36 |
| VALE3 | Vale | Siderurgia e Mineração | — |
| VIVT3 | Telefônica Brasil/Vivo | Telecomunicações | — |
| MOTV3 | Motiva | Transportes | R$ 19,40 |
| CPLE3 | Copel | Utilidades Básicas | R$ 15,80 |
| RADL3 | RD Saúde | Consumo Básico | R$ 30,00 |
O portfólio, segundo o banco, apresenta retorno de 15,54% no acumulado do ano até fevereiro ante 11,97% do Ibovespa no período e de 47,75% em 12 meses versus 38,5% do índice.









