O mercado de carne bovina segue sustentado por uma combinação de demanda externa elevada e consumo doméstico consistente, cenário que tem mantido os preços em patamares firmes ao longo de 2026. A avaliação é da Scot Consultoria, que aponta a continuidade desse movimento mesmo diante de fatores de risco no ambiente internacional, como a evolução das compras chinesas e tensões comerciais.
As exportações têm desempenhado papel central na formação de preços ao reduzir a oferta disponível no mercado interno. Nos últimos anos, o aumento dos embarques contribuiu para limitar a pressão de queda, mesmo em um contexto de produção elevada. Esse ajuste entre oferta e demanda tem sido determinante para a sustentação da arroba do boi gordo.
No mercado doméstico, o consumo também reforça essa dinâmica. No primeiro trimestre de 2026, a carne bovina registrou valorização, enquanto proteínas concorrentes apresentaram retração. No período, os preços da carne bovina avançaram 16%, ao passo que o frango recuou 11% e a carne suína caiu 22%, indicando uma recomposição relativa de demanda entre as proteínas.
A consultoria avalia que a demanda interna atua como complemento relevante às exportações na precificação do setor, contribuindo para a manutenção dos níveis atuais. Fatores como aumento da renda disponível, eventos de grande porte ao longo do ano e estímulos sazonais no consumo podem sustentar esse comportamento ao longo de 2026.
Para o segundo semestre, o cenário exige monitoramento mais atento. Possíveis sinais de desaceleração da economia chinesa, além de impactos de conflitos geopolíticos e mudanças nas condições comerciais globais, podem influenciar o ritmo das exportações e, consequentemente, a formação de preços no mercado doméstico.









