O IGP-10 de abril avançou 2,94%, acima da projeção do mercado, que era de 2,50%, e reverteu a tendência de queda registrada em março, quando o índice havia recuado 0,24%. Para Sara Paixão, Analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, o resultado vai além do número em si: o índice de abril oferece uma leitura clara de como o choque no preço do petróleo e dos fertilizantes está se disseminando pela economia brasileira, sem se restringir apenas ao impacto direto nos combustíveis. Na avaliação da analista, essa dinâmica deve se tornar a principal preocupação do Banco Central nas próximas reuniões do Copom.
O principal vetor da alta foi o IPA — Índice de Preços ao Produtor Amplo —, que avançou 3,81% no mês, já refletindo os efeitos do conflito no Oriente Médio. Paixão destaca dois itens que ilustram com clareza essa contaminação: o Ácido Sulfúrico, com alta de 29%, e os Adubos e Fertilizantes, que subiram 6,8%. No IPC — Índice de Preços ao Consumidor —, a gasolina registrou o maior impacto positivo, com avanço de 6,38%, movimento influenciado pela alta nos preços internacionais dos combustíveis mesmo sem um reajuste formal por parte da Petrobras. No INCC — Índice Nacional de Custos da Construção —, a analista também identifica a influência do conflito: produtos dependentes de transporte, como massa de concreto, tubos e conexões de PVC e blocos de concreto, figuraram entre as maiores altas do mês.
Apesar do avanço nos preços, Paixão avalia que o Banco Central deve dar continuidade ao ciclo de cortes na próxima reunião. A taxa Selic segue em patamar bastante elevado, o que, na visão da analista, justifica a decisão mesmo diante das incertezas do cenário global. A ressalva, no entanto, é relevante: a magnitude total do corte nesse momento pode ser inferior ao que se considerava antes da deflagração do conflito.
Um fator que ajuda a amortecer o choque, segundo Paixão, é a valorização do real frente ao dólar. A analista pondera que uma eventual desvalorização da moeda brasileira nesse cenário poderia amplificar ainda mais a pressão sobre os preços de bens cotados em moeda estrangeira — como commodities em geral e produtos importados —, tornando o câmbio um vetor adicional de atenção para o Banco Central nas próximas semanas.









