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JPMorgan eleva duas varejistas e rebaixa ação do setor para o 1º trimestre de 2026

Prévia do 1T26 reforça cautela no varejo e destaca empresas mais resilientes

O J.P. Morgan elevou o tom sobre o varejo brasileiro e traçou uma divisão clara entre vencedores e pressionados no setor: enquanto vê espaço para valorização nas ações da C&A e da Vivara, o banco decidiu rebaixar a recomendação da Azzas 2154, sinalizando deterioração nas perspectivas operacionais da companhia.

A análise, baseada nas projeções para o primeiro trimestre de 2026, parte de um diagnóstico mais duro para o curto prazo: o ambiente de consumo segue fragilizado, com renda comprometida por endividamento elevado das famílias e menor previsibilidade para gastos discricionários. O banco também chama atenção para fatores adicionais que podem agravar esse cenário, como um inverno mais quente — que reduz a demanda por coleções sazonais — e mudanças regulatórias que podem alterar a dinâmica competitiva do setor.

Entre esses riscos, está no radar a possível revisão da tributação sobre compras internacionais, conhecida como “taxa das blusinhas”. Uma eventual flexibilização pode ampliar a vantagem de preço de varejistas estrangeiros, aumentando a pressão sobre empresas locais justamente em um momento de demanda já enfraquecida.

Mesmo nesse contexto adverso, o banco identifica oportunidades específicas. A C&A aparece como uma das principais apostas, com valuation considerado descontado e expectativa de melhora operacional ao longo do ano. Já a Vivara é vista como um dos nomes mais consistentes do setor, combinando crescimento acima da média com múltiplos ainda considerados atrativos.

Na direção oposta, a Azzas 2154 teve sua recomendação reduzida após cortes relevantes nas estimativas de lucro para 2026 e 2027. O banco aponta uma combinação de fatores negativos, incluindo pressão sobre receitas, compressão de margens, dificuldades na integração de operações e incertezas relacionadas à governança. A dependência de incentivos fiscais também é vista como um ponto de atenção adicional.

Entre outras empresas acompanhadas, o banco mantém recomendação positiva para a Riachuelo, destacando o valor intrínseco elevado, apesar da menor liquidez dos papéis. A Lojas Renner permanece com recomendação neutra, sustentada por geração de caixa consistente, mas com desempenho operacional mais moderado no curto prazo. A Alpargatas segue na mesma linha, com fundamentos sólidos, porém já refletidos nas cotações.

Para o primeiro trimestre, a expectativa do banco é de resultados fracos de forma generalizada. A Riachuelo deve se destacar em vendas nas mesmas lojas, enquanto C&A e Lojas Renner devem apresentar crescimento mais contido. Já a Azzas tende a registrar mais um período pressionado, reforçando a revisão negativa de perspectivas.

No pano de fundo, o banco enxerga um equilíbrio delicado entre fatores positivos e negativos. A massa salarial ainda mostra resiliência, mas o avanço da inflação, o alto nível de endividamento e a ausência de crescimento mais forte do emprego limitam a capacidade de expansão do consumo.

Diante desse cenário, o J.P. Morgan conclui que o desempenho das ações do varejo deve continuar altamente dependente de sinais de curto prazo, especialmente das variações nas vendas nas mesmas lojas — um indicador que tende a funcionar como termômetro imediato da saúde do setor em um ambiente ainda instável.

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